Cláudio Osti
De Londrina
A Portuguesa Londrinense virou refém do Londrina Esporte Clube. Com o Estádio do Café interditado para reformas (leia texto ao lado), a equipe depende da boa vontade do Londrina para mandar seus jogos no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD). E nem sempre há boa vontade.
A Portuguesa deveria, pelo calendário da Federação Paranaense de Futebol (FPF), ter jogado na última quarta-feira contra o Paranavaí, pela Copa Paraná. A Lusa havia pedido à direção do Londrina – e conseguido – a cessão do VGD para a partida. No entanto, na segunda-feira, a direção do Londrina comunicou à Lusinha que o VGD não mais seria emprestado para o jogo de quarta-feira. A alegação foi de que poderia chover e o gramado seria afetado, prejudicando a partida contra a Tuna Luso, ontem, pela Série B do Brasileiro.
A confusão estava armada. O Paranavai não aceitava mudar a data do jogo. A sede da FPF, em Curitiba, estava fechada na segunda-feira, véspera de feriado. A diretoria da Lusinha precisou de muita diplomacia para convencer o Paranavaí. A data foi mudada para o próximo dia 23. Ontem, a FPF finalmente fixou a data da partida para o dia 15, no VGD – se o Londrina deixar.
Teoricamente, o LEC tem obrigação de ceder o estádio. Pelo menos é o que diz a lei. Em 1989, o VGD foi cedido ao Londrina, por dez anos, em sistema de permissão de direito de uso, que deve ser renovado, por mais 10 anos, na próxima sessão da Câmara de Vereadores.
A lei 4.313, que permitiu a posse do VGD pelo LEC, diz no artigo 2º, inciso 1, que ‘‘o Londrina Esporte Clube obriga-se a ceder o Estádio VGD para outras equipes de futebol profissional da cidade, em jogos programados pela Federação Paranaense de Futebol, desde que o cedente ali não dispute o jogo no mesmo dia e horário’’. Está no papel, mas não é bem assim que funciona.
‘‘O que nós estamos tentando fazer é sensibilizar a opinião pública para que não fique nesse vai-e-vem. Não dá para ficar pedindo pelo amor de Deus para o Zé Café (presidente do Londrina) para jogarmos no VGD. O estádio, mesmo cedido ao Londrina, pertence à prefeitura e o poder público deveria fazer cumprir a lei. A gente percebe até um jogo de interesse. A prefeitura não mexe com o Londrina e o vereador Célio Guergoletto (coordenador-geral do LEC) não dificulta as coisas para a Prefeitura na Câmara’’, comenta Manoel Ilidio, presidente do Conselho Deliberativo da Lusa.
‘‘Não houve recusa em emprestar o VGD’’, rebate Guergoletto. ‘‘É que nós estávamos prevendo chuva e isso iria prejudicar o gramado. É preciso conciliar os interesses das duas agremiações. Se o Londrina precisasse jogar no Santa Terezinha, nós teríamos que pedir autorização para eles. Aqui o estádio é do Londrina.’’ Segundo Guergoletto, não houve descumprimento da lei. ‘‘Nós não negamos; apenas sugerimos uma nova data’’, alega.
A solução seria jogar no Estádio da Vila Santa Terezinha, diz Ilidio. Segundo ele, a intenção é mandar os jogos do Campeonato Paranaense de 2000 naquele estádio. As reformas já começaram. Os vestiários estão quase prontos e a meta é colocar um novo alambrado e aumentar a altura do muro que circunda aquela praça esportiva.Com o Café em reformas e o Santa Terezinha em obras, Lusa depende da boa vontade do Tubarão – o que nem sempre acontece
Arquivo FolhaA DISPUTAVitorino Gonçalves Dias: Câmara de Vereadores deve renovar cessão do estádio ao Londrina por mais 10 anosArquivo FolhaA SOLUÇÃOEstádio Santa Terezinha: Portuguesa prtende mandar lá seus jogos pelo Campeonato Paranaense do ano que vem

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