Portugueses revoltados com árbitro
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quinta-feira, 06 de julho de 2006
Mauricio Fonseca<br>Agência O Globo 
Lisboa - Revolta, orgulho e frustração. Portugal amanheceu confuso após a derrota de 1 a 0 para a França, quarta-feira, nas semifinais da Copa do Mundo, resultado que tirou o país da luta pelo inédito título mundial. O coquetel de sentimentos estava estampado nos jornais, nas conversas nos cafés e nas filas de ônibus. Só não teve espaço para decepção.
A revolta era com o árbitro uruguaio Jorge Larrionda que teria deixado de dar um pênalti claro em Cristiano Ronaldo. O orgulho, pela forma com os jogadores representaram e honraram a bandeira. E a frustração por terem chegado tão perto do topo e mais uma vez terem sido derrotados pelos franceses, que já o haviam eliminados nas semifinais do Europeu de 2000.
A imprensa refletiu bem o estado de espírito dos portugueses. O jornal esportivo ''O Jogo'', por exemplo, deixou claro que na sua opinião Portugal foi roubado. ''Roubaram o menino'' foi a manchete da capa, que trazia uma foto de Cristiano Ronaldo batendo palmas para a torcida com os olhos marejados. Nas páginas internas, o diário disse que o futebol português mais uma vez não pôde com a maldição do galo, numa alusão à França. Havia ainda um longo desabafo de Felipão, indignado com a atuação do árbitro uruguaio.
Já o goleiro brasileiro Helton, ex-Vasco e hoje no Porto, contratado como colunista durante a Copa, elogiou a garra dos jogadores da seleção. ''Portugal perdeu, mas perdeu com orgulho'', escreveu o brasileiro.
Este é, por sinal, o sentimento da maioria dos portugueses. Apesar da derrota, eles continuam idolatrando os jogadores e entusiasmados com a campanha na Alemanha. As bandeiras vermelha, verde e amarela permanecem estendidas nas janelas das casas e dos carros. Muita gente saiu para trabalhar ontem com a camisa da seleção.
E foi este o tom da manchete do diário esportivo ''A Bola''. Com fotos de Figo e Simão deseperados, com as mãos na cabeça, o título foi um reconhecimento ao empenho dos jogadores. ''Portugal não vos esquecerá'', estampou o jornal em sua capa.
No Café Quintanas, próximo à Praça Marquês de Pombal, os aposentados Antônio Ferreira, Clóvis Cunha e Pedro Fragoso conversavam sobre o jogo. Cada um tinha sua versão para o que acontecera em Munique. Só concordavam numa coisa: para eles, Portugal foi roubado. ''Não discuto o pênalti do Ricardo Carvalho no Henry, mas o em cima do Cristiano Ronaldo foi ainda mais claro. O árbitro não marcou porque não quis'', disse Pedro Fragoso, 68 anos e o mais falante dos três.
Uma coisa é certa: o apoio explícito vai continuar até segunda-feira, quando os jogadores voltam para Portugal. Terminando em terceiro ou quarto lugar, todos serão recebidos como heróis.


