Portugueses comemoram garra do time
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
Thiago Mossini<BR>Reportagem Local 
A festa do futebol de ontem à tarde não foi portuguesa, com certeza, mas nem por isso os patrícios londrinenses deixaram de comemorar. ''Depois de 40 anos, chegar a uma semifinal de Copa do Mundo já é uma vitória'', disse o presidente da Casa Portugal de Londrina, Adelino Ferreira, 77 anos, após a derrota da seleção portuguesa para a França por 1 a 0.
No dia em que 180 milhões de brasileiros reforçaram a torcida portuguesa, a resignação deu o tom após a desclassificação de Portugal do Mundial da Alemanha. Muito mais do que chegar à inédita decisão, para eles, já valia comemorar o time guerreiro, que lutou até o útlimo segundo pela classificação. ''Valeu pelo que Portugal fez, pelo futebol que mostrou, no nível dos campeões'', conformou-se Arthur Alves da Silva, 62 anos, natural de Castanheira de Pera, distrito de Leiria.
Como de costume, a comunidade lusitana se reuniu na Casa Portugal para acompanhar a partida. Regado a filhoses uma tradicional guloseima portuguesa feita com massa de pão frita e passada na canela e no açúcar e quentão, portugueses e suas gerações de descendentes tentavam empurrar o time da terra natal.
Eles tentavam esconder a apreensão e o nervosismo e se mantinham em silêncio na maior parte do jogo. Suspiros e gritos eram arrancados quando Portugal ameaçava o gol adversário. Os protestos contra a arbitragem também não faltaram, tanto no pênalti que originou o gol francês como num lance em que Cristiano Ronaldo teria sido empurrado na área.
A tevê dividia espaço na mesa com bandeiras, camisas da seleção e de clubes e flâmulas, mas ganhou um amuleto a mais no intervalo na tentativa de ajudar o time a reverter o resultado. ''Vamos colocar a barrete aqui para dar sorte'', disse Silva, enquato arrumava um local na mesa para estender uma espécie de gorro utilizado por campineiros do Ribatégio (parte de cima do rio Tégio).
A torcida aumentou em número e em vibração no segundo tempo, mas dentro de campo o resultado não vinha. A cada chance de gol perdida por Portugal as esperanças diminuíam. Até que Fernando Meira chutou para longe o empate no fim do jogo. Junto com a bola, foi o resto de ânimo dos torcedores.
Ao apito final do uruguaio Jorge Larrionda, rapidamente a tevê foi desligada. Ninguém queria ver a festa do rival. Preferiram comemorar o retorno à elite do futebol mundial com a colaboração de dois brasileiros: o técnico Luiz Felipe Scolari e o meia Deco. ''É o resultado da união das duas pátrias'', lembrou Ferreira.
Ao final do jogo, sobraram reconhecimento aos jogadores lusitanos e reclamações do árbitro. ''Portugal mostrou mais conjunto, posse de bola, futebol, mas a França conseguiu um pênalti, fez o gol e não deixou Portugal jogar'', disse o cônsul honorário de Portugal em Londrina, Antonio Lourenço Martins, 70.


