Portuguesa forma a dupla do barulho
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sábado, 19 de maio de 2001
Claudemir Scalone De Londrina 
A Portuguesa Londrinense tornou público essa semana uma parceria com o empresário Marcelo Caldarelli, 39 anos, que poderá transformar o pacato dia-a-dia do segundo time de Londrina num vulcão prestes a entrar em erupção. Aliada a já folclórica atuação do diretor de futebol da Lusa, Amarildo Vieira Martins, que coleciona preciosidades como atuar de maqueiro para pressionar o trio de árbitros e até dar broncas homéricas em seus treinadores em público, a presença de Caldarelli vem adicionar um tom ainda mais pitoresco ao clube da Vila Santa Terezinha.
Depois de tumultuada gestão na presidência do Londrina Esporte Clube no biênio 1996/1997, do qual foi obrigado a renunciar ao cargo , Caldarelli deixa o ostracismo e volta a figurar no noticiário esportivo da cidade. Agora, integra o corpo diretivo da Lusa. É um cargo de honra, uma espécie de manager, diz Caldarelli, que ficará encarregado de introduzir os jogadores da Lusinha no mercado do Brasil e Exterior.
A Portuguesa é um time que divulga o nome da cidade, gera empregos e tem que ser ajudado, justifica Caldarelli, sabendo que a simples pronúncia de seu nome causa aversão em grande parte da cidade. As pessoas só vêem um lado da moeda. Quando estive no Londrina nunca tive ajuda da prefeitura como tiveram a SAL (Sociedade Amigos do Londrina) e o Célio (Guergoletto, que foi coordenador-geral do clube entre 1999/2000), ressalta ele.
Desde que deixou o Londrina em abril de 1997 e recebeu o passe de cinco jogadores, Caldarelli virou empresário do futebol. Durante três anos esteve à frente do Assahi, equipe de Assaí que disputava a segunda divisão e está de licença. Hoje, o empresário detém o passe de 23 jogadores e negociou dois deles com o futebol europeu. Um terceiro atleta estaria sendo negociado por US$ 200 mil para o Exterior.
O novo diretor da Lusa nem sonha em voltar a dirigir o LEC. Adoro o Londrina, mas pelo que passei lá jamais voltaria a assumir a presidência. Ser acusado de ladrão e tarado (leia texto nesta página) sem se provar nada, me machucou demais. Tenho vergonha na cara e personalidade. Passei muita humilhação, me desgastei moralmente e até minha família se prejudicou, afirma ele.
Para Caldarelli, a sua gestão no Londrina não foi tão ruim como dizem. O Londrina ficou mais de dez jogos invictos e só perdeu o primeiro turno para o Atlético por um ponto e o segundo para o Coritiba por um gol. O pessoal da SAL pegou o time e derrubou para a Segunda Divisão, acusa. Fazendo um balanço de sua passagem pelo clube, ele admite ter errado por confiar em excesso em alguns amigos. Errei muito sem querer e por acreditar em um grupo de 15 pessoas que ia me ajudar financeiramente, se assustou com a dívida do clube e saiu.
Marcelo Caldarelli rebate ainda acusações de que teria aumentado as dívidas do Londrina. Foi feita uma auditoria no clube (paga por Caldarelli) e não se provou nada contra mim, tenta justificar-se.
O empresário costura ainda uma possível parceria para assumir o departamento amador da Lusa, nos moldes do que fez o Londrina com o empresário Iran Campos. Em junho, ele viaja à Europa para levar vídeos com jogos da Portuguesa e aproveita para contatar um amigo suíço que estaria disposto a investir no Brasil. Um edifício de oito andares em construção, propriedade da família, poderia ter alguns andares reservados para abrigar os juniores e juvenis.
Amarildo Vieira nem liga para os possíveis comentários irônicos que a Lusa já está recebendo ao aliar-se com o ex-presidente do LEC. Quero mais é que falem da Portuguesa. Comigo, o Caldarelli não tem problema nenhum. Ele é mais um diretor para ajudar a Portuguesa, afirma ele.


