Portugal elimina Holanda no jogo mais violento da Copa
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domingo, 25 de junho de 2006
Thiago Barros Ribeiro<BR>Folhapress 
São Paulo - No jogo mais violento e emocionante do Mundial-06, um gol de Maniche garantiu ontem a vitória de Portugal por 1 a 0 sobre a Holanda, manteve a série de vitórias de Luiz Felipe Scolari em Copas e credenciou a equipe portuguesa para enfrentar a Inglaterra na próxima fase da competição. A partida não decepcionou aqueles que esperavam um duelo dos mais emocionantes. No entanto, holandeses e portugueses exageraram nos lances violentos. Ainda no primeiro tempo, Cristiano Ronaldo já havia sido substituído por contusão e Costinha expulso pelo árbitro Valentin Ivanov.
No primeiro tempo, a Holanda começou ligeiramente superior, mas em seu primeiro chute a gol, Portugal abriu o placar, com o meia Maniche, aos 23 minutos. Nos últimos 45 minutos, a violência aumentou ainda mais e acabou se constituindo na nota triste de uma partida tão acirrada.
A vitória de ontem expandiu dois recordes pessoais de Luiz Felipe Scolari. Além de estar invicto há 18 jogos no comando de Portugal, desde a estréia brasileira no Mundial de 2002, contra a Turquia, o treinador gaúcho conheceu apenas o sabor do triunfo nas onze partidas disputadas até agora. Contra a Holanda, Portugal também manteve um retrospecto bastante positivo. Em dez jogos, são seis vitórias e três empates. A única derrota portuguesa ocorreu em 1991, nas eliminatórias da Euro-92.
Portugal volta a campo no próximo sábado, em Gelsenkirchen, onde irá repetir o duelo realizado contra a Inglaterra nas quartas-de-final da Euro-04. Se repetir o resultado daquele jogo, em que acabou classificado após a disputa de pênaltis, o esquete português já estará entre os quatro melhores do mundo, algo somente alcançado em 1966, quando outro brasileiro, Otto Glória, dirigia a seleção.
A partida se caracterizou mais pela virilidade do pela qualidade das jogadas. Costinha tomou cartão amarelo aos 31 e, aos 39, cometeu outra falta violenta, que lhe poderia ter rendido a expulsão, caso o árbitro fosse mais rigoroso. Tardou mas não falhou. Nos acréscimos, o mesmo Costinha cortou um lance com a mão e acabou expulso.
Já no fim do primeiro tempo, aos 45, Portugal quase fez o segundo, em jogada de Simão -que substituíra Cristiano Ronaldo, contundido - pela direita, completada por Pauleta e muito bem defendida por Van der Sar.
A Holanda voltou do intervalo pressionando. Aos 4, depois de um lançamento para a área, a bola sobrou para Cocu que mandou um tiro no travessão. A animosidade entre os times também continuava exacerbada. Aos 18, Boulahrouz, tomou o segundo amarelo e foi expulso após entrada com o cotovelo em Figo.
Aos 25, o atacante Robben fez jogada individual pela esquerda do ataque, entrou na área e cruzou. No rebote da zaga, Sneijder, mandou forte, mas Petit se jogou na bola e salvou Portugal.
Em seguida, nova confusão em campo, após entrada feia de Deco em Heitinga. O árbitro, já sem o controle do jogo, deu apenas cartão amarelo ao meia português, e aos holandeses Van der Vaart e Sneijder, que se estranharam com os portugueses. Pouco depois, aos 33, Deco acabou expulso, após retardar o reinício de jogo, após outra falta. Aos 35, Kuyt recebeu lançamento da intermediária e ficou cara a cara com Ricardo. No entanto, o atacante do Feyenoord não conseguiu superar o arqueiro português.
Até o final do jogo, os holandeses insistiram na busca pela igualdade, Van Bronckhorst foi expulso e Portugal conseguiu resistir, conquistando bravamente a classificação, à moda Felipão.
PORTUGAL 1
Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha, Maniche, Figo (Tiago) e Deco; Cristiano Ronaldo (Simão Sabrosa) e Pauleta (Petit).
Técnico: Luiz Felipe Scolari
HOLANDA 0
Van der Sar; Boulahrouz, Ooijer, Mathijsen (Van der Vaart) e Van Bronckhorst; Van Bommel (Heitinga), Sneijder, Cocu (Vennegoor of Hesselink) e Van Persie; Kuyt e Robben.
Técnico: Marco Van Basten
Árbitro: Valentim Ivanov (RUS)
Estádio: Frankenstadion
Gol: Maniche aos 23 minutos do 1º tempo
Expulsões: Costinha e Deco (P); Boulahrouz e Van Bronckhorst (H)


