A funcionária pública Mary Ane Alves Macedo, de 37 anos, também tem a exata noção da transformação que o esporte é capaz de fazer na vida de uma pessoa. Portadora de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), ela sofria com os efeitos da síndrome até conhecer o kickboxing, há sete meses.
O TDAH é um distúrbio de causas genéticas, que aparece na infância e geralmente acompanha a pessoa pelo resto da vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Diagnosticada aos 20 anos, ela só se deu conta do tamanho do problema quando o prejuízo já era insuportável. "Como não era uma doença, acabei não me preocupando. Só fui dar atenção a isso mais tarde, quando comecei a ter dificuldades no trabalho e nos relacionamentos afetivos", diz ela.
As dificuldades de relacionamento a levaram ao isolamento. E com ele veio a depressão. "Cheguei a ir ao psiquiatra e fiquei dois meses afastada do trabalho", recorda-se. As coisas só começaram a mudar quando ela começou a terapia. "A partir daí que comecei a assumir o problema e vi que precisava controlar tudo isso".
E o esporte foi o meio que ela encontrou para melhorar a qualidade de vida. "Pesquisei na internet e gostei do kickboxing. Me encontrei", conta a funcionária pública, que já tinha passado por algumas decepções esportivas e não acreditava tanto no efeito até começar. "Já tinha tentado outras modalidades e não tinha dado certo. Por conta da desatenção, os professores achavam que era presunçosa, e, na verdade, não era. Nesse ponto, a Branka (apelido da sérvia Branislava Cosic, sua professora) foi muito importante. A forma com que ela me acolheu fez a diferença", elogia a dedicada aluna.
"O começo não foi fácil, tinha medo de tudo, de passar mal, das pessoas não entenderem, mas com o tempo foi passando. O mais engraçado é que hoje eu até lembro alguém que esquece algum exercício na aula", diz, com sorriso no rosto.
Os reflexos positivos logo foram sentidos também no convívio social. "A autoestima melhorou muito. Hoje tenho amigos, sinto mais prazer em me arrumar, para fazer um penteado diferente. O esporte mudou minha vida para a melhor em todos os aspectos. Saio daqui sempre mais fortalecida", enaltece Mary Ane. (R.S.)

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