Por um triz
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
Marco Justo Losso<br>Agência Estado 
São Paulo - A Alemanha entrou como favorita para o confronto contra a Argélia pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, nesta segunda-feira. Mas sofreu do início ao fim do duelo, precisando da prorrogação e de muita luta para superar o adversário. Em um confronto angustiante, os alemães venceram por 2 a 1, com gols Schürrle e Özil, só na prorrogação, e garantiram a sua vaga nas quartas de final. Djabou marcou para os argelinos. Agora, a equipe alemã encara a França, nesta sexta, no Maracanã, a partir das 13 horas.
Com a presença, mais uma vez nos jogos desta Copa, do presidente da Fifa, Joseph Blatter, a partida foi a despedida do Beira-Rio do Mundial. E o duelo trazia também o retrospecto favorável para os argelinos, que venceram os únicos confrontos entre os dois países até então - por 2 a 0, em 1964, e por 2 a 1, na Copa de 1982, na Espanha. Este panorama foi suficiente para aumentar o ímpeto argelino, que mostrou muita raça para vender caro a passagem dos alemães às quartas do Mundial.
O confronto começou com a Alemanha dominando as ações do duelo, controlando o meio de campo e tentando infiltrações na defesa rival. A Argélia mostrava desde o início a sua estratégia para o jogo: uma linha de quatro no meio e outra de cinco na defesa, com apenas o atacante Slimani na frente. Uma verdadeira barreira viva que os alemães teriam de transpor.
Aos 8 minutos, emoção no Beira-Rio. Em erro no ataque, Mustafi perdeu a bola na direita e possibilitou o que o time argelino esperava, o contra-ataque. Em bola esticada pela esquerda, Mertesacker deixou espaço e Neuer saiu para bloquear Slimani, que saiu sozinho para marcar o primeiro gol da partida. Neuer quase foi superado na corrida, mas conseguiu travar o chute do argelino e mandar para escanteio.
A primeira chance da Alemanha só ocorreu aos 13 minutos, quando Schweinsteiger chutou firme de fora da área para boa defesa, em dois tempos, de Mbolhi. Mas a Argélia não parava e, em mais uma jogada de falha da zaga alemã, Ghoulam cruzou com precisão na cabeça de Slimani. O atacante estava um pouco à frente e o impedimento foi marcado.
Em outra jogada, aos 17 minutos, a Argélia mostrava que queria chegar às quartas. Em mais uma bela troca de passes pela esquerda, Ghoulam entrou na cara de Neuer, mas chutou longe do gol alemão. Com o volume de oportunidades, a Argélia ganhava até o controle de bola no meio, com toques estéreis dos jogadores de meio-campo da Alemanha, em um domínio ilusório. Os alemães só assustavam com bolas aéreas.
Aos 39 minutos, outro lance de perigo para a Argélia, uma rotina no confronto. Em sobra de lateral argelino, Mostefa bateu forte, a bola desviou em Boateng e quase entrou no gol de Neuer, já batido. Em um primeiro tempo muito movimentado, com muita aplicação argelina e Neuer jogando praticamente todo o jogo como "líbero", o duelo só não teve seu placar alterado por causa da falta de precisão dos atacantes de ambas as equipes.
Na volta do intervalo, a Alemanha continuava sua estratégia de muitos toques inofensivos no meio, deixando a cargo de Mertesacker e Boateng, zagueiros, a organização das jogadas do time. Em uma jogada confusa, a Alemanha quase marcou, sem querer, quando Schürrle, que tinha entrado no lugar de Götze, chutou em cima da zaga e a bola quase encobriu o goleiro Mbolhi. Aos 8 minutos, Mbolhi virava o jogador da partida ao defender de forma espetacular um bom chute de Lahm.
O duelo perdeu um pouco da intensidade, com as duas equipes se poupando mais, talvez com os técnicos pensando já na prorrogação. Com a contusão de Mustafi, Lahm voltou a atuar na direita e Khedira voltou a jogar com Schweinsteiger no meio, ao lado de Kroos e Özil, deixando o meio de campo alemão mais ofensivo. Mas o jogo dos europeus não encaixava.
O jogo ganhava ares dramáticos, com qualquer equipe podendo abrir o marcador. Aos 39 minutos, falta para a Alemanha na entrada da área, em lance de mão de Feghouli no chute de Boateng. Em jogada patética, os alemães "tentaram" ensaiar uma cobrança, mas Müller caiu e o resultado foi ridículo.
As duas seleções mostravam muita luta, mas também desorganização em campo. A partida iria, mais uma vez nesta Copa, para a prorrogação. Logo no primeiro minuto, Schürrle derrubou a retranca argelina após boa jogada de Müller pela esquerda, tirando três zagueiros africanos. O atacante alemão cruzou rasteiro para a conclusão de letra do jogador do Chelsea.
No segundo tempo da prorrogação, os argelinos jogavam todas as suas forças contra a frágil defesa alemã, que se virava como podia. Em cruzamento de Djabou, Mertesacker tirou com seu 1,98m no último instante. Com vários jogadores sofrendo com cãibras nas duas equipes, a partida era puro drama. Em jogadas claras de gol, a Alemanha mantinha o martírio ao não definir o resultado, primeiro com Kramer e depois com Müller. Mas aos 14 minutos, Özil, com o gol sem goleiro, ampliou. A emoção não acabou e, nos acréscimos, Djabou fez o gol de honra da brava Argélia.
EM PORTO ALEGRE
ALEMANHA 2
Neuer; Mustafi (Khedira); Mertesacker, Boateng e Höwedes; Lahm, Schweinsteiger (Kramer), Kroos e Özil; Götze (Schürrle) e Müller. Técnico: Joachim Löw
ARGÉLIA 1
Mbolhi; Mandi, Belkalem, Halliche (Bougherra) e Ghoulam; Taider (Brahimi), Lacen, Fehgouli e Mostefa; Slimani e Soudani (Djabou). Técnico: Vahid Halilhodzic
ÁRBITRO: Sandro Meira Ricci (Brasil)
ESTÁDIO: Beira-Rio
GOLS: Schürrle, a 1 minuto do 1º tempo da prorrogação; Özil, aos 14, e Djabou, aos 16 minutos do 2º tempo da prorrogação


