Ricardo Bueno, 21 anos, atacante talentoso, com futuro promissor, diferenciado do medíocre time montado pela direção do Londrina para o Campeonato Paranaense. Ele poderia ser a solução para os problemas financeiros do clube nos próximos anos, já que pela bola apresentada nos poucos jogos que fez no Estadual, é sinônimo de dinheiro em caixa. Porém deve ser vendido ainda neste final de semana por uma quantia irrisória. Por R$ 250 mil, o Coritiba deve levar o goleador alviceleste.
Durante os últimos dias, a venda de Ricardo ganhou força no clube. Não que tenha aparecido clubes interessados. Na verdade, o desespero do presidente Peter Silva para arrumar dinheiro e quitar parte das dívidas era o que dava o tom das negociações. Falava-se de interesses de Internacional-RS, Atlético Paranaense, futebol mexicano... Porém, tudo não passava de especulação.
Ontem, surgiu a nova frente de negociação. Essa concreta. O Coritiba teria ofertado R$ 250 mil pelos 50% dos direitos do jogador que pertencem ao clube - a outra metade é do Nacional de Rolândia.
O presidente Peter Silva não quis se pronunciar ontem. Porém, uma fonte ligada às duas diretorias confirmou a oferta coxa-branca. Segundo a fonte, Peter não estaria mais aguentando a pressão dos credores e entregaria o jogador por qualquer quantia. O desespero do cartola para levantar dinheiro é tão grande que ele teria oferecido aos donos do Nacional os 50% do Londrina pela bagatela de R$ 100 mil.
O presidente do Nacional, José Danilson de Oliveira, não pensa em negociar a parte dele e de seu sócio, o supermercadista Dema Locatelli, nos direitos do jogador neste momento. Sonha em ganhar muito mais no futuro, com uma sequência boa de jogos do atacante, principalmente se transferido para um clube grande.
''Por enquanto só ouvi boatos. Falam de Inter, Atlético, Barueri, mas de concreto nada, mas não temos interesse em vender a nossa parte agora, a não ser que apareça uma proposta de pelo menos R$ 500 mil pela parte que nos pertence'', comentou Danilson.
Ricardo, por sua vez, se mantém longe dos boatos. Ele está na casa da família, em São José do Rio Preto (SP), cuidando de problemas particulares e afirmou não ter recebido nenhuma proposta. Ele tem contrato até junho de 2010 e a multa, especula-se, está perto da casa de R$ 1 milhão.
''Pra mim não chegou nada ainda. Tentei falar com ele (Peter) ontem (quinta-feira), mas não consegui. Vamos ver se hoje eu consigo'', disse Ricardo, que também está com dois meses de salários atrasado. ''É complicado ficar assim. Tenho os meus compromissos'', disse, mostrando descontentamento com a situação. No entanto, ele descartou usar o atraso para conseguir sua liberação do clube na Justiça.
Luís Carlos Pereira dos Santos, o Luisão, ex-gerente da Adap Galo e atual diretor da empresa Porus Sports, que gerencia a carreira do jogador, também refutou que existam propostas por Ricardo. ''Não nada de proposta, nada de oficial'', afirmou. Ele também negou que a Porus tenha oferecido R$ 100 mil pela metade do Londrina, conforme foi ventilado pelas rádios locais. ''Não oferecemos nada para eles ainda''.
Luisão reconheceu que a vontade de Ricardo é alçar voos mais altos ao invés de disputar a Série D do Brasileiro pelo Londrina. ''O atleta tem alguns sonhos e quer pegar um time de maior expressão, mas ele tem um contrato a cumprir. Disseram que vão viabilizar o pagamento. A parte dele ele cumpriu com o Londrina e o Londrina não cumpriu com ele'', reclamou.

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