Em época de Copa do Mundo, o Brasil inteiro é contaminado pelo vírus da alegria. Mal humorado, ranzinza, tímido... todo mundo perde a linha e vira torcedor. Dia de jogo é feriado. Enquanto a bola não rola dá aquele friozinho na barriga. Quando ela é colocada em movimento, a tensão toma conta até que vem a explosão do gol. E contra a Costa do Marfim foram três. Mas afinal: existe explicação para o torcedor brasileiro ser tão fanático?
Torcedor de verdade, nunca se separa da camiseta verde e amarela. Os mais ousados aproveitam para extrapolar e inventar moda. Variam as perucas e os chapéus coloridos, pintam o rosto, infernizam os amigos e quem mais tiver por perto com buzinas, cornetas e afins. E não arreda o pé até que a partida termine. Se perde, desmonta a fantasia e volta à rotina bronqueado, triste. Mas quando os canarinhos ganham... Tudo vira carnaval.
No maior ponto de concentração de torcedores de Londrina, a Avenida Higienópolis, nem o atraso na instalação das TVs ao ar livre tirou o ânimo da torcida. Todo mundo deu um jeitinho. Valia câmera de celular, a televisão da padaria, uma espiadinha no telão do bar, até o velho radinho - quem diria - salvou o torcedor.
Morando em Portugal, mas de férias no Brasil, Jennifer Kawane, 16 anos, confidenciou que estava com saudade da alegria brasileira. Por isso, não teve dúvida: colocou uma peruca amarela na cabeça, enrolou a bandeira no corpo e se transformou em torcedora. ''É para mostrar o orgulho de torcer pelo meu país, que é o Brasil'', disse, convicta.
''A seleção foi maravilhosa'', resumiu Joselito Hajjar, que circulava com uma bandeira do Brasil amarrada no pescoço. Cheio de alegria, sentenciou que o time vai longe. ''Vamos acabar com a Argentina na final'', garantiu. Para ele, o fanatismo do brasileiro pelo futebol é um traço cultural do nosso povo. ''É um esporte popular, barato e o primeiro presente de toda criança é uma bola. Por isso, a gente é torcedor desde pequeno.''
Com um currículo de 40 maratonas, 19 meias-maratonas e 15 edições da São Silvestre, o corredor Jurandir Pereira do Carmo pendurou uns badulaques pelo corpo e caiu na farra com um violão a tiracolo. E por que tanta euforia? ''A vitória da seleção sempre termina em carnaval fora de época, que contagia o Brasil inteiro. E qual brasileiro que não gosta de festa?'', respondeu, com outra pergunta.
Só quem não deve ter ficado feliz foi o marfinense Gerard Diby, coreógrafo que está em Londrina participando do Festival de Teatro de Londrina (Filo). Antes do jogo, ele apostou no empate em zero a zero. Por que? ''Gosto das duas equipes'', afirmou, diplomático. Desta vez não deu Gerard... Quem sabe daqui a quatro anos.

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