Definido. O catarinense Murilo Fischer, que treina em Londrina, vai representar o Brasil na prova de resistência do ciclismo de estrada, nos Jogos Olímpicos de Sydney. Parabéns Murilo. Peço licença aos leitores e ao próprio Murilo para descordar da forma que foi realizada esta seletiva – sem desmerecer o mérito do atleta por ter sido o melhor nas seis etapas que contaram pontos para o ranking brasileiro.
O Brasil se esqueceu de um grande ciclista. Talvez o melhor da atualidade. O londrinense Luciano Pagliarini, que está correndo na Itália e chegou onde nenhum outro ciclista brasileiro chegou até hoje. Ele fechou contrato com a Lampre, a quinta melhor equipe profissional do mundo, equivalente em importância ao Inter de Milão, onde joga o craque Ronaldinho.
Primeiro estrangeiro a vencer duas tradicionais provas italianas, o Circuito del Porto e Vicenza/Bionde, Pagliarini virou manchete em todos os jornais italianos. ‘‘Sempre aquele diabo do Pagliarini’’, escreveu o jornal Messagero Veneto, afirmando que o ciclista brasileiro estava acabando com a festa dos italianos.
Nas provas em que tem participado (todas acima de 100 quilômetros), o londrinense tem deixado para trás os atletas da seleção olímpica italiana, suíça, russa, eslovena e até mesmo os australianos, que já estão treinando há um mês na Itália. Aqui no Brasil, a disputa acontece basicamente entre duas equipes: a Memorial Santos, com ex-integrantes da Caloi, e a megaestrutura da Caloi – equipe de Murilo Fischer –, que deixa qualquer outra no chinelo.
Por ter compromissos na Itália, Luciano não pôde participar das seis seletivas aqui no Brasil e por isso ficou ‘de fora’, sem poder ocupar uma vaga que foi garantida principalmente por sua oitava posição no Mundial do Uruguai, no ano passado.
Por que no ciclismo as coisas funcionam diferente? O Guga não precisa estar aqui no Brasil, jogando com os tenistas brasileiros para provar que é o melhor do país. Rivaldo, Roberto Carlos, Elber e Cafú não fazem seletivas para serem titulares na seleção de futebol. É injusto pensar que Pagliarini, com os resultados obtidos internacionalmente, teria que deixar seus compromissos com uma grande equipe italiana, para estar aqui, disputando seletivas para ratificar a sua vaga.
Quais interesses estariam por trás destas seletivas ao ponto de ignorarem resultados jamais alcançados por atletas brasileiros neste esporte? Será que tudo isso não foi feito apenas para favorecer patrocinadores do ciclismo nacional?
Só pra encerrar. Agora, o atleta escolhido para representar o Brasil terá que passar por um estágio, correndo provas do calendário europeu para adquirir mais experiência, melhor preparo físico e ritmo em provas de alto nível. Incoerente, não?
Briga política
Em 1936, para a Olimpíada de Berlim foram organizadas duas delegações brasileiras. O Comitê Olímpico Brasileiro – COB, fundado em 1935, organizou a sua e a Confederação Brasileira de Desportos – CBD, organizou uma outra. O COB tinha reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional e a CBD contava com o apoio das federações internacionais e do governo federal. As duas delegações viajaram separadas e assim permaneceram até que fosse solucionado o problema. Como o Brasil não poderia ter duas representações oficiais as equipes foram fundidas, formando uma só delegação, com 72 atletas, em dez modalidades.
Mais uma medalha
Depois de 28 anos em jejum, mais uma medalha. Foi na Olimpíada de Londres, em 1948, que o basquete masculino brasileiro subiu ao pódio pela primeira vez. O time, dirigido por Moacir Daiuto, ganhou a medalha de bronze depois de vencer o México, por 52 a 47, na disputa do terceiro lugar. Foram sete vitórias e uma derrota. Os brasileiros perderam apenas para os franceses.
Eu bebo sim
Você já ouviu falar nos vinhos tintos Cabernet Sauvignon e os brancos Chardonnay, Semillon, Chenin Blanc e Verdelho? São todos australianos. Isso mesmo, além de ser o maior produtor e exportador de lã do mundo, o país também é um grande produtor de vinho. A safra inaugural foi em 1827 com uma produção de 90 mil litros. Hoje, a produção chega a 500 milhões de litros e o vinho australiano é consumido no mundo inteiro.
A cerveja também faz sucesso do outro lado do mundo. E foi pensando nisso que a organização dos Jogos de Sydney programou dutos que serão instalados nos locais de competição para distribuirem, eletronicamente, 70 mil litros de cerveja por hora. Haja tomador de cerveja!
Curtas Olímpicas
- O Sydney Olympic Park, sede principal dos Jogos Olímpicos de Sydney, foi construído numa área de 7,6 milhões de metros quadrados, na Homebush Bay, a 19 quilômetros do centro de Sydney.
- Deixada de lado pelo desenvolvimento dos anos 80, a Baía de Homebush, só passou a receber tratamento especial do governo australiano por conta da vitória de Sydney na disputa pelos Jogos de 2000.
- Homebush Bay servia até pouco tempo como depósito de lixo para a grande quantidade de dejetos domésticos e industriais de Sydney. Quem for a Homebush hoje nem imagina como era antes.
- A nova Homebush Bay será sede de 14, dos 28 esportes disputados nos Jogos. Também serão realizadas lá a final do futebol, da ginástica olímpica e do pentatlo. Nunca uma Olimpíada reuniu tantos esportes em um mesmo lugar.

mockup