Pôquer conquista seu espaço
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quinta-feira, 02 de junho de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Depois de anos na obscuridade devido a uma lei da década de 60 que proibiu jogos de azar, o pôquer sai do limbo e ganha cada vez mais adeptos em todo o Brasil. Segundo o advogado Mário Neto Takahashi, da Associação Londrinense de Texas Holdem, hoje existe um entendimento, inclusive do Ministério Público, de que o pôquer não pode ser considerado um jogo de azar, e sim um esporte, pois depende mais da habilidade da pessoa do que da sorte em si.
''Para ser considerado um jogo de azar, é preciso que haja mais de 51% de chances da partida depender da sorte, o que não ocorre no pôquer'', conta.
Ele diz que diferentemente do bingo, no qual a sorte é o fator decisivo, no pôquer nem sempre a pessoa que sai com as melhores cartas ganha o jogo. ''Às vezes a pessoa não está em uma posição privilegiada e é obrigada a correr e outras vezes ela pode blefar'', explica.
Takahashi conta que a Polícia Civil de São Paulo, a Secretaria de Esportes do Paraná e de São Paulo e até o Ministério Público foram convencidos de que o pôquer não pode ser considerado um jogo de azar.
Segundo ele, uma partida de pôquer exige habilidades do participante como o raciocínio lógico, matemático e a psicologia. ''O raciocínio deve predominar sobre o emocional, caso contrário o jogador pode 'perder a mão''', conta.
Ele diz que é comum os novatos no esporte apresentarem cacoetes que entregam se a mão do jogador está boa ou não. ''O jogador deve saber interpretar a linguagem corporal dos outros jogadores, seja o jeito de falar, de sentar ou de agir, pois o comportamento pode indicar se a pessoa está blefando ou não'', revela. ''É por isso que existe aquela música Poker Face (Lady Gaga) que faz alusão à capacidade dos jogadores de pôquer em esconder as suas emoções e poder ludibriar as pessoas'', conta Takahashi. Ele diz que alguns jogadores recorrem a bonés e óculos escuros para não se entregar.
Etiqueta
Neste jogo existe uma etiqueta que exige que os alimentos sejam deixados ao lado e se a pessoa atender um telefonema à mesa é obrigada a 'foldar', ou seja, desistir daquela mão. ''Outras coisas que não são permitidas são as manifestações de opinião durante o jogo, a comemoração efusiva, passar fichas na mesa e dois amigos correrem com uma mão vencedora'', conta Takahashi. Ele diz que se isso for detectado pela direção do torneio, os jogadores podem ser punidos.
Takahashi explica que o dealer, que realiza a distribuição das cartas, atua como um primeiro árbitro, mas se a discussão for além o diretor do torneio intervém e aplica a regra dos torneios internacionais.
Segundo a Associação Londrinense de Texas Holdem, a cidade possui hoje cerca de 450 associados. Eles se reúnem na sede da associação às segundas, quartas, quintas e sábados para jogar no 4º andar da torre dois do edifício Twin Towers, localizado na Avenida Tiradentes.
Nem todos podem se associar, pois trata-se de uma associação em que só é permitida a entrada por indicação de seus membros ou por aprovação da diretoria. ''Isso é para evitar que entrem pessoas mal intencionadas'', conta. Para quem é aprovado, o custo para se associar é de R$ 30 e não existe anuidade ou mensalidade. ''Fora isso existe a taxa de inscrição dos torneios e a taxa de administração, que varia de 15% a 20% do torneio. ''Por exemplo, se a inscrição for de R$ 300 e tiver 100 jogadores inscritos, a taxa de administração é de R$ 6 mil e os R$ 24 mil restantes serão distribuídos na premiação para 10% dos participantes'', conta Takahashi.
O diretor da associação informa que nos dias 10 e 11 de junho será realizada a etapa londrinense do Campeonato Paranaense de Texas Holdem.


