Popó volta ao Brasil e é recebido como herói
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Rafael Aguiar e Biaggio Talento 
São Paulo, 10 (AE) - Acelino "Popó" Freitas, que conquistou sábado o cinturão dos superpenas, versão Organização Mundial de Boxe, ao nocautear o russo naturalizado francês Anatoly Alexandrov, em Le Cannet, na França, já está no Brasil. O pugilista chegou ontem à São Paulo e, depois, em companhia da mãe, Zuleika, do irmão, Luís Claúdio, e do amigo Kelson Carlos, medalha de prata no Pan-Americano de Winnipeg, partiu para Salvador, onde descansará até o fim do mês. O empresário Rui Pontes e o técnico Luís Carlos Dória já pensam na próxima luta que o atleta vai realizar e fala-se até em uma revanche.
Com humildade, o novo fenômeno do boxe, com um cartel de 21 lutas como profissional, todas vencidas por nocaute (12 no primeiro assalto), dedicou a conquista aos 500 anos do Brasil. "O fenômeno é o Brasil", disse. "O boxe não dá lugar aos perdedores e, com a mesma humildade e ainda mais dedicação, vou trabalhar para sempre vencer."
Na trilha do sucesso - Segundo o técnico Dória, o título da OMB é o começo de uma carreira de sucesso. "Popó está seguindo os passos de Oscar De La Roya, que começou com o título dos super-penas da Organização", explicou. "Popó terá de defender o título, obrigatoriamente, dentro de três a seis meses."
O empresário Rui Pontes disse que o local e o adversário não estão definidos, mas os empresários de Alexandrov, os irmãos Acaries, não descartam a possibilidade de revanche. Pontes falou também sobre a tensão que a equipe passou antes da luta. "A dois dias do combate, soubemos que o empresário Arthur Palullo, havia, enfim perdido a ação movida contra Popó."
Segundo o supervisor-técnico do pugilista, Antônio Bernardo, responsável pela projeção internacional de Popó, Palullo passou a gerenciar a carreira do lutador após a conquista do título das Américas, em 1995. "Ele prometeu seis lutas em 18 meses, mas nada disso ocorreu", afirmou. "Os novos empresários de Popó tiveram de recorrer à Suprema Corte, que até dois dias antes da luta concedia os direitos de Popó ao Palullo."
O próximo membro da família a disputar um título mundial é Luís Cláudio, de 32 anos, irmão de Popó. "No dia 24 de setembro vou fazer uma luta de preparação e, ainda este ano, disputar o título dos penas."
O vice-campeão pan-americano dos superpenas, Kelson Carlos, ainda não definiu o futuro. "Penso na Olimpíada, mas tudo depende de meus empresários." Pontes parecia animado com a idéia de profissionalizá-lo. "Luís Cláudio foi ao Pan de Havana
ganhou o bronze e vai disputar o título; Popó foi a Mar del Plata, ganhou a prata e é campeão mundial; você será o próximo."
Festa - Com trio elétrico tocando a Melô do Popó e a Dança do Nocaute, Popó foi recebido com festa, hoje, em Salvador. O pugilista fez questão de voltar à Bahia com a roupa que usou no dia da luta. "Prometi que desembarcaria com o roupão, as luvas, o short com as bandeiras da Bahia e do Brasil", disse. Depois, subiu num caminhão do Corpo de Bombeiros e desfilou, orgulhoso, o cinturão de campeão.
O pai de Popó, Nijalma Freitas, assumiu a responsabilidade pela formação do lutador. "Ele tem uma pegada bonita, igual ao pai", repetia, lembrando que sempre brigou com a mulher por causa da profissão dos filhos. "Eu dizia: deixa o menino cumprir o destino dele, que um dia será campeão do mundo."


