Depois de defender o título enfrentando uma série de pugilistas decadentes, Popó se prepara agora para um novo salto na carreira: a unificação de cinturões. Ele foi desafiado pelo cubano Joel Casamayor campeão na categoria superpenas pela Associação Mundial de Boxe (AMB), e poderá enfrentá-lo ainda neste semestre. ‘‘A tentativa da unificação vai ocorrer ainda este ano, porém, não podemos precisar exatamente quando e com quem’’, disse na madrugada de ontem o empresário do baiano, Ruy Pontes.
Os empresários do pugilista brasileiro estudam também a possibilidade de enfrentar o norte-americano Floyd Maywether, que recentemente unificou os títulos do Conselho Mundial de Boxe (CMB) e da Federação Internacional de Boxe (FIB). Pontes avalia que Maywether só venceu a luta da unificação porque seu adversário Diego Corales (filho de mexicanos nascido nos EUA) estava mentalmente abalado com uma separação conjugal.
‘‘Talvez seja mais vantajoso para nós enfrentarmos o Maywether, mas o Popó prefere o cubano, até porque ele nos desafiou’’, argumenta Pontes.
‘‘Qualquer que seja o adversário, eu estarei preparado para vencer por nocaute’’, assegura Popó, observando que um lutador de boxe não pode se dar ao luxo de perder como outros esportistas. ‘‘Se você ganhar, ganha tudo; se perder, perde tudo’’, define, sem descartar a possibilidade de uma derrota.
‘‘A derrota na vida da gente é uma coisa muito delicada, mas eu acho que estou preparado para a derrota, sim’’, afirmou Popó, que pretende mudar de categoria depois da unificação. Ele deve voltar à categoria de peso-leve, na qual começou a carreira porque está tendo dificuldades para manter o peso máximo dos superpenas – 58,967 kg. Antes de derrotar o panamenho Orlando Soto, no sábado à noite em Brasília, Popó teve de se submeter a um rigoroso jejum e quase perdeu o título mundial para a balança, ficando apenas 67 gramas abaixo do limite.
‘‘Popó’’ Freitas precisou de apenas dois minutos e 13 segundos para derrotar por nocaute o panamenho. Com dois cruzados de direita no primeiro assalto, ele manteve o cinturão de campeão mundial dos superpenas pela Organização Mundial de Boxe (OMB) e a invencibilidade de 29 lutas como profissional, todas vencidas por nocaute – sendo 17 no primeiro assalto. ‘‘Fiz o que prometi e acabei com a luta antes do terceiro assalto’’, disse Popó logo após a vitória. Foi uma luta fácil. O pugilista brasileiro tomou a iniciativa do combate e perseguiu o panamenho pelo ringue, tentando encurtar os espaços e levá-lo às cordas. Depois de encaixar uma sequência de golpes, Popó conseguiu derrubar o adversário pela primeira vez.
Atordoado, Soto se levantou rapidamente para interromper a contagem do juiz, mas uma outra sequência de golpes duros do brasileiro o levou à lona novamente, encerrando o combate.

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