São Paulo O boxeador brasileiro Acelino Popó Freitas está triste. Campeão mundial dos superpenas pela Associação Mundial de Boxe (AMB) e Organização Mundial de Boxe (OMB), e um dos destaques do pugilismo internacional em 2002, ele fez um desabafo à Agência Estado, após uma sessão de corridas em Lauro de Freitas, cidade a dez quilômetros de Salvador, na Bahia.
''Estou cansado de lutar pela Pátria e não ter nenhum reconhecimento. Estou há um ano sem patrocínio e a partir de agora lutarei profissionalmente, buscando o melhor para mim e minha família, que depende de mim'', afirmou Popó, que tem combate marcado para 15 de março, nos Estados Unidos, contra o mexicano Gabriel Ruelas, ex-campeão mundial.
Popó, que viaja dia 20 próximo para iniciar sua preparação para o combate, está contrariado, pois gostaria de lutar no Brasil: ''É muito difícil programar uma luta no Brasil sem apoio nenhum.'' Confira os principais trechos da entrevista:
AE - Como está sua preparação para o combate contra Gabriel Ruelas?
Popó - Tranquila. Viajo dia 20 para os Estados Unidos. Ainda não defini o lugar, mas sei que onde for terei toda a estrutura para me preparar da melhor forma. Lá existe uma grande quantidade de sparrings, o assédio da imprensa é muito grande e é importante para aumentar a promoção do combate.
AE - O fato de você não lutar a sete meses pode prejudicá-lo na luta?
Popó - Não; de jeito nenhum. Já fiquei um ano parado e não senti problemas.
AE - A morte de seu pai, no fim do ano passado, prejudicou seus treinamentos?
Popó - Não. Sei muito bem separar meu lado profissional e o pessoal. Sei que agora ele estará mais perto ainda de mim, onde quer que eu esteja.
AE - Depois de Ruelas, poderemos ter uma revanche sua com o cubano Joel Casamayor, de quem você arrebatou o cinturão da AMB, há um ano? Popó - Não sei. Isto depende de meus empresários. Sei que o que for melhor para mim será feito. Ele (Casamayor) está falando muito na revanche? Deixa ele falar.
AE - Quando você voltará a lutar no Brasil?
Popó - Está difícil. Isso vai me deixando triste. É muito difícil programar uma luta no Brasil sem apoio nenhum. Estou há um ano sem patrocínio.
AE - Você parece desmotivado...
Popó - Estou chateado, não abalado. Nada vai tirar meu prazer de lutar. Mas estou cansado de lutar pela Pátria e não ter nenhum reconhecimento. Estou há um ano sem patrocínio e a partir de agora lutarei profissionalmente, buscando o melhor para mim e minha família, que depende de mim.

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