Mashantucket - A vitória de sábado à noite sobre o norte-americano Zahir Raheem, no ringue do Foxwoods Casino, em Mashantucket, Estados Unidos, por pontos, após 12 assaltos, e a conquista do cinturão dos leves, versão Organização Mundial de Boxe, colocou Acelino Popó Freitas no hall dos grandes campeões da atualidade. Diferente dos outros cinturões conquistados, Popó venceu na principal vitrine do boxe diante de um lutador local.
  Com a vitória, Popó resgata o título que foi seu de janeiro de 2004 até agosto do mesmo ano, quando perdeu para o norte-americano Diego Corrales, por nocaute, no décimo assalto. Esta, inclusive, foi a sua única derrota em 38 combates na carreira profissional - ganhou 38 lutas, sendo 32 por nocaute.
  Esta é a 4ªvez que Popó conquista um título mundial. O primeiro veio em 1999, com o cinturão dos superpenas da Organização Mundial de Boxe. Depois, em 2002, pela mesma categoria, foi campeão da Associação Mundial. E em 2004, já no peso leve, ganhou de novo na Organização Mundial.
  Mas, acima do título mundial dos leves, a vitória de Popó diante do norte-americano Zahir Raheem representa um momento único na história do esporte brasileiro. Pela primeira vez, o pugilismo do Brasil tem dois campeões simultaneamente. Depois de já ter conquistado outros títulos, Popó se une agora a Valdemir Sertão Pereira, que ostenta o cinturão dos penas pela Federação Internacional de Boxe desde janeiro.
  Agora, Popó tem opções muito interessantes para sua carreira. A categoria dos leves possui alguns pugilistas bastante conceituados como Marco Antonio Barrera, Erik Morales, Jose Luis Castillo e o próprio Diego Corrales. E um deles deve ser o próximo adversário do brasileiro na defesa do título mundial.
  ‘‘Daqui a duas semanas eu vou dar uma coletiva e me expressar melhor porque a alegria é muito grande. Só sei que esta é uma vitória histórica’’, disse Popó, com lágrimas nos olhos. ‘‘Foi uma grande luta. Uma grande estréia de Popó na HBO’’, afirmou Luis Barragan, executivo do canal HBO.
  Com isso, fica aberto uma grande leque de opções para futuras lutas de Popó. O brasileiro poderá até disputar mais um título mundial. Tudo vai depender de acertos comerciais e contratuais. ‘‘Uma revanche com o Corrales (Diego, para quem Popó perdeu em agosto de 2004), um duelo com o Barrera teria um bom apelo (Marco Antonio Barrera nocauteou Luís Cláudio, irmão de Popó, em 2001) e até Morales (Erik, que perdeu para Zahir Raheem, em agosto do anoapassado) é uma grande alternativa’’, disse Jeosafá Santos, amigo e sócio de Popó na Boxe Brasil, empresa que busca revelar talentos.
  Uma coisa é certa. Popó entra de vez para a lista dos grandes campeões do momento. Cerca de 150 jornalistas estiveram credenciados para a luta, que foi transmitida ao vivo para os Estados Unidos, com mais de 20 milhões de telespectadores. ‘‘Estou muito feliz. Por mim e pelo Brasil’’, disse o pugilista, ostentando o seu quarto cinturão mundial - ele fora campeão em 1999, 2002 e 2004.

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