Popó busca na fé resposta para sua primeira derrota
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segunda-feira, 09 de agosto de 2004
Agência Estado 
Salvador - Em vez da zoada dos grupos de pagode e de gente requebrando na dança do nocaute, salmos recitados entre gritos de 'amém, Jesus!''.
No lugar do riso esgarçado por cada uma das 35 vitórias anteriores, uma lágrima solitária de um conformado aprendiz.
Assim foi a volta de Popó a Salvador, por volta de 9h30 de ontem. Recepcionado pelos irmãos de nova crença, pastores e obreiros da Igreja Batista, um Popó convertido ao Evangelho buscava na fé a explicação da primeira derrota. ''Deus não quis''.
Ao desistir da luta no décimo round, Acelino Freitas estava lúcido.
Ele admitiu que aprendeu uma lição do esporte, a partir do amargor da derrota: ''Ele estava mais preparado do que eu e eu achava que indo pra cima, ia ganhar na porrada, no nocaute''.
Popó se enganou. Achava que o lutador da Colômbia, naturalizado norte-americano, Diego Corrales, não estava preparado o suficiente para enfiar a mão na cara do baiano como aconteceu no Foxwood Resort Cassino, em Connecticut, Estados Unidos.
Resta a Popó seguir o caminho de todo grande desportista: aprender na adversidade, fazer do erro um caminho e tentar uma revanche diante do adversário poderoso. ''Ele foi mais inteligente do que eu e mereceu a vitória'', reconheceu o novo evangélico.
A lição de Corrales fez Popó fortalecer a idéia de mudar seu perfil de lutador disposto a partir pra briga, sempre, como se o menino pobre da Baixa de Quintas, em Salvador, estivesse lutando pelo prato diário de comida, ao subir aos ringues do mundo.
Para o baiano, esta foi a última vez que ele entrou para tentar o nocaute nos primeiros rounds, característica que o faz ídolo entre os grandes pugilistas mundiais. ''Não, isso acabou'', disse, ao desembarcar.
''Quero ganhar, nem que seja por pontos''.
Popó reconheceu que a estratégia de partir pra cima encontrou em Corrales um adversário duro. O colombiano tomou o cinturão dos leves pela Organização Mundial de Boxe (OMB) por ter encaixado contragolpes cadenciados ao ritmo agressivo de Popó.


