Ponta Grossa, o berço do futebol paranaense
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sábado, 27 de setembro de 2003
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Domingo, 23 de outubro de 1909. Em campo, no Alto do Cemitério, em Ponta Grossa, os times do Club de Foot-Ball Tiro Pontagrossense e do Club Ginástico Turnverein, de Curitiba. Começava ali a história do futebol paranaense.
Berço do esporte no Estado, a ''Princesa dos Campos'', teve seus momentos de glórias no cenário futebolístico estadual e brasileiro. Entre os vários clubes fundados na cidade, dois se destacaram. Guarani e Operário já não disputam mais campeonatos oficiais, mas são o orgulho dos torcedores pontagrossenses. Não conquistaram nenhum título expressivo, mas juntos, os dois clubes possuem seis vice-campeonatos estaduais.
Tudo começou quando a companhia American S. Brasilian Engineering Co., encarregada da construção da via férrea que ligaria Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul se instalou na cidade. Um dos funcionários, o inglês Charles Wrigth trouxe na bagagem bolas, chuteiras, enfim, o futebol.
O Operário Ferroviário Esporte Clube, o ''Fantasma da Vila'', foi o mais vencedor de Ponta Grossa, com quatro vices estaduais (1929, 1938, 1958 e 1961), além de um quarto lugar na Série B do Campeonato Brasileiro em 1990. Além disso, foi o primeiro time do interior a chegar à final do Paranaense.
Existem várias versões sobre a fundação do clube. A ''mais oficial'' de todas é de que nasceu da fusão do time da Rede Viação Paraná-Santa Catarina e alguns jogadores do Riachuelo Sport Clube, em 1º de maio de 1912.
O nome Operário Ferroviário Esporte Clube surgiu da fusão entre o Operário Sport Club e o Club Atlético Ferroviário, dos funcionários da Rede Ferroviária.
O Operário começou a brilhar em 1929, quando conquistou o primeiro vice-campeonato estadual. Um triangular com Atlético Paranaense, Operário e Paranaguá, no início de 1930, decidiu o título. Uma derrota por 3 a 0 para o Atlético na capital tirou a taça do time princesino.
Durante os oito anos seguintes o Operário se alternou com o Guarani nas conquistas dos campeonatos municipais. Em 38, novamente o clube chegava à decisão estadual. Na final, o Operário, campeão do interior, enfrentou o Ferroviário, campeão da capital. O primeiro jogo, em Ponta Grossa, foi equilibrado e os visitantes venceram por 3 a 1. Mas no confronto da volta, o Ferroviário humilhou o Operário: 9 a 2 e ficou com o título.
A partir daí o time passou por altos e baixos em suas campanhas dentro do futebol profissional. Até que em 58, o Operário novamente ficou em segundo. O campeonato foi disputado por pontos corridos e o time princesino ficou dois pontos atrás do Atlético, campeão.
No ano seguinte o atacante Zeca, do alvinegro, foi o artilheiro do certame com 26 gols. Esta foi a única vez que o clube teve o goleador da competição.
Em 61, outro vice, num torneio tumultuado. O Estado foi dividido em três regiões Sul, Norte e Norte Velho e os campeões de cada uma se enfrentavam. O Coritiba foi o vencedor pela Sul, mas o Operário entrou com um recurso junto ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) alegando que o jogador Agapito, do Coxa, estava em situação irregular. Depois de muitas discussões a decisão foi favorável ao time de Ponta Grossa, que foi disputar a final com o Comercial, de Cornélio Procópio, e Esportiva, de Jacarezinho.
No jogo decisivo, o Operário perdeu para o Comercial no Norte Paranaense por 2 a 1 e mais uma vez teve que se contentar com o segundo lugar.
A sina dos vices acabou por aí. Não porque o time conseguiu vencer, mas porque nunca mais chegou à final estadual. E, em 65, caiu para a segunda divisão, de onde só saiu em 69.
Na volta à Primeirona, em 70, o Operário não foi bem e se licenciou do futebol profissional até 74. ''Esse ano o time voltou, mas estava capenga e foi assim nos anos seguintes. Em 77 nem disputou o Paranaense'', lembra o radialista da CBN de Ponta Grossa, Altair Bail, que participava das coberturas dos jogos do time.
Em 83 o Operário caiu mais uma vez para a Segundona e ficou por lá seis anos, até que em 89 foi convidado a voltar à primeira divisão.
Depois desse período, o clube até fez algumas boas campanhas. Em três anos seguidos, 90, 91 e 92, ficou entre os primeiros colocados no Paranaense, assustando os grandes da capital. Mas em 94 veio o fim de tudo, com a licença pedida junto à Federação Paranaense de Futebol (FPF). Em 99, com uma união entre Operário e Ponta Grossa, outro time da cidade, o clube voltou, mas não durou muito, apenas um ano.
Hoje, o time não existe mais. Operário Ferroviário é apenas um clube comum e não trabalha mais com o futebol profissional.


