Política esquenta clima de EUA x Irã
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 1998
Das agências 
Estados Unidos e Irã entram em campo hoje para disputar uma partida decisiva para a política internacional e, principalmente, para o futuro das duas equipes nesta Copa do mundo. Ambos precisam dos três pontos para manter sua chance de roubar uma das vagas de Alemanha ou Iugoslávia no Grupo F. Os EUA perderam para a Alemanha de 2 a 0 e o Irã foi batido pela Iugoslávia em 1 a 0. O derrotado na partida de hoje, no Estádio Gerland, em Lyon, estará desclassificado da Copa do Mundo. Irã e EUA não mantém relações diplomáticas desde 1979.
É bem verdade, como disse o jogador americano Tab Ramos, na que para muitos iranianos uma vitória sobre os norte-americanos equivaleria a ganhar a Copa. Para Ramos, o jogo deverá ser nervoso, principalmente no início, por conta da tensão de ambas as partes. O lado iraniano é o mais pressionado. Apesar de os técnicos das duas seleções tentarem minimizar o caráter político do jogo, é difícil descartá-lo.
Na última semana, Jalal Talebi, 53 anos, técnico da seleção iraniana chegou a pedir que não se desse à partida uma dimensão maior do que tem. Mas teve que lidar com problemas alheios ao esporte. Protestos da seleção iraniana contra um filme considerado ofensivo ao país e exibido pela TV francesa; boato de que o Irã se retiraria do mundial; e o pedido - ignorado - de deputados iranianos para que os jogadores não trocassem camisas.
O treinador norte-americano Steve Sampson também bateu na mesma tecla de que a política podia ser deixada de lado. Mas disse que os jogadores dos EUA devem tomar a atitude de trocar camisas com os adversários. É um momento histórico e eu vou querer uma camisa de um jogador iraniano para dar a meu filho, acrescentou. Sampson, que pretende jogar mais no ataque, diferente do que fez contra a Alemanha, disse ainda que achou interessante que a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, tivesse tentado um reaproximação com o Irã, justamente às vésperas da partida.
SegurançaO confronto entre Estados Unidos e Irã foi motivo para uma reunião especial dos responsáveis pela segurança da Copa do Mundo da França em Paris, dias antes do Mundial. Mais do que a selvageria dos hooligans, os dirigentes franceses temem a que a festa do futebol seja palco de ações terroristas de caráter político. Por isso, um esquema de segurança máxima foi preparado para garantir que a partida não seja transformada em um encontro explosivo.
O sequestro de membros da equipe de Israel por terroristas palestinos na Olimpíada de 1972, em Munique, e a bomba que explodiu no Centenial Park, nos Jogos de Atlanta, há dois anos, são precendentes que serviram de alerta às autoridades francesas. Nos demos conta do perigo de uma ação terrorista quando a Copa estava para começar, explica o delegado da segurança em Lyon, Pierre Guinot-Deléry.
Chegamos ao nível máximo de segurança para concentrar as atenções no caso de evitar que se aproveitem do jogo para se fazer manifestações políticas e religiosas. A presença de exilados políticos do Irã na Europa é outra preocupação. Eles costumam fazer manifestações contra a política do presidente.
Mais de 2 mil homens, entre policiais, voluntários e seguranças particulares estarão envolvidos no esquema de segurança. O duelo foi considerado jogo de alto risco pela Fifa. Por isso, uma revista minuciosa será feita aos torcedores que forem ao estádio. São esperados cerca de 5 mil iranianos e o mesmo número de norte-americanos para apoiarem as equipes dos seus países. Faixas e bandeiras com inscrições de caráter político serão confiscadas.
FICHA TÉCNICA


