Rio, 06 (AE) - O advogado Artur Lavigne, que defende o atacante Edmundo, do Vasco, entrou hoje à tarde com liminar pedindo o habeas corpus do jogador no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, para tentar revogar a prisão preventiva de seu cliente, decretada na terça-feira. Até as 18h30, o ministro do STJ Vicente Leal não havia dado um parecer sobre o caso e Edmundo continuava foragido.
Lavigne afirmou que o jogador se apresentaria ainda hoje (06) na sede da Divisão de Capturas-Polinter, na Praça Mauá, centro do Rio. "Assim, vamos evitar que a sua imagem fique desgastada", explicou. "Senão, ficaria a impressão de que ele está fugindo." O advogado disse que conversou com Edmundo e garantiu que o jogador está "tranquilo". Quando se apresentar a Justiça, Edmundo passará a noite em uma das 18 celas da sede da Polinter. No momento, 331 presos estão detidos no local, número considerado normal pela direção da entidade. O chefe de capturas da Polinter, Marcos Martins, informou que o jogador ficará junto com os presos que cumprem pena por causa de não pagamento de pensão alimentícia.
Edmundo teve sua prisão decretada pelos desembargadores Eduardo Mayr, Erié Sales da Cunha e Maurício da Silva Lintzt, da 6.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, que ontem (05) confirmaram a condenação do atacante a quatro anos e meio de prisão em regime semi-aberto. Em março desse ano, ele foi condenado por homicídio culposo (sem intenção), por ter provocado um acidente automobilístico em dezembro de 95, em que morreram três pessoas.
Na liminar, Lavige acusa a 6ª Câmara de ter causado "um grave contrangimento ilegal" ao seu cliente. Isso porque, explica o advogado, Edmundo é réu primário e um esportista conhecido. Para Lavigne, Edmundo "infelizmente se envolveu em um acidente com vítimas fatais".
Hoje, policiais procuraram Edmundo em sua casa, na Barra da Tijuca, zona oeste, na casa de seus pais, em Niterói, e foram duas vezes ao Estádio de São Januário, na zona norte. Na segunda ida ao estádio, três policiais conversaram com o técnico do Vasco Antônio Lopes, ex-delegado de polícia. Ao saírem de São Januário, eles limitaram-se a dizer que tinham informações de que o jogador poderia estar no estádio. Na terça-feira, a direção do Vasco explicou que o atacante estava liberado do treino de hoje.
O vice-presidente de Futebol do Vasco, Eurico Miranda, acredita na absolvição de Edmundo, mas já pensa em alternativas, caso a condenação seja confirmada. "Quando trouxemos o Edmudo, sabíamos do risco disso acontecer", garantiu. "Vamos analisar o que vai ser feito."

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