Curitiba - Poderia ter sido pior. Com esse argumento, as polícias Civil e Militar justificaram o seu desempenho na contenção do tumulto promovido por torcedores do Coritiba após o jogo com o Fluminense, domingo, no estádio Couto Pereira. ''A atuação dos policiais e também da Guarda Municipal contribuiu para que o problema fosse minimizado'', garantiu o coronel da PM Jorge Costa Filho, comandante do policiamento da capital, durante uma entrevista coletiva concedida na manhã de ontem.
Segundo Costa Filho, 700 policiais militares reforçaram a segurança no estádio e suas imediações - praticamente o triplo do efetivo normal. ''O policiamento foi suficiente, tanto que não houve nenhum incidente antes e durante a partida. Mas, infelizmente, há coisas que não se pode prever'', disse.
O coronel ainda rebateu as acusações de que apenas cerca de 15 PMs estavam no campo no momento da invasão (além dos seguranças contratados pelo clube). ''A primeira linha de ação tinha 50 policiais. Eu estava lá e vi. Quem não estava não pode falar'', afirmou.
Ao todo, 18 pessoas saíram feridas - 7 militares e 11 civis. Destes últimos, dois foram atingidos por arma de fogo e continuam em observação no Hospital do Cajuru. O soldado da PM Luis Ricardo Gomides, que caiu desacordado no gramado, passa bem. Seu agressor foi identificado através do site de vídeos YouTube: trata-se do professor de boxe tailandês Gilson da Silva, de 20 anos, encontrado ontem de manhã numa academia de artes marciais.
O presidente da torcida organizada Império Alviverde, Luiz Fernando ''Papagaio'' Corrêa, também foi interrogado, pois há indícios de que o tumulto tenha sido incitado pelos líderes do grupo. ''Chegaram informações de que tudo já estava combinado desde a última viagem da torcida, para Minas Gerais'', revelou o delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (COPE), Miguel Stradle.
Outros 11 suspeitos de participar da confusão foram indiciados, mas o número deve aumentar. As polícias continuam examinando os registros da confusão e pedem que a população faça o mesmo por meio do site www.seguranca.pr.gov.br, onde estão disponíveis fotos e vídeos dos agressores.
O saldo final da ''batalha'' ainda inclui 30 ônibus e 5 terminais danificados. Além dos batalhões da capital e da Guarda Municipal, participaram da segurança policiais da Academia da Polícia Militar do Guatupê, Centro de Formação de Praças, Companhia de Polícia de Choque e Batalhão de Polícia de Trânsito.
O Ministério Público do Paraná também prometeu que buscará punição rigorosa e efetiva aos envolvidos na baderna. Após reunião do procurador-geral de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto com procuradores e promotores de Justiça ligados à área criminal e do consumidor, o MP afirmou ainda que pedirá interdição administrativa do Couto Pereira, proporá cadastramento de torcidas - que caso não seja aceito pelas organizadas pode levar ao pedido de sua imediata extinção - além da ampliação da atuação do Juizado Especial para os crimes relacionados ao futebol. (Colaborou Luciano Balarotti)

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