Curitiba - O Núcleo de Repressão e Combate a Crimes Econômicos (Nurce) lacrou ontem uma sala da Federação Paranaense de Futebol (FPF) onde funcionava a FPFTV - emissora criada para transmitir os jogos do Campeonato Paranaense de Futebol pela Internet. A emissora seria, segundo investigações da Polícia Civil, uma das fontes de desvio de recursos utilizadas pela diretoria da FPF. Vários equipamentos, documentos de contabilidade e dois carros foram apreendidos ontem.
A Operação Cartão Vermelho prendeu na última terça-feira nove pessoas suspeitas de terem desviado recursos do futebol paranaense. O ex-presidente da FPF, Onaireves Nilo Rolim de Moura (que presidiu a Federação por 22 anos e foi afastado por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva), foi ouvido ontem no inquérito policial. Ele está preso em Curitiba e responde por possíveis desvios ocorridos na FPF com a utilização de empresas consideradas pela polícia como ''laranjas''.
Este seria o caso da Comfiar (Comissão Fiscalizadora de Arrecadação), que foi criada em 1994 através de um estatuto, mas só foi constituída a partir de outubro de 2006. Caberia à empresa a fiscalização da renda dos clubes, a comercialização dos campeonatos e a operação da FPFTV. No início, existiriam indícios de que Moura usava a Comfiar para não pagar os credores da Federação, já que 2,5% da arrecadação dos jogos no Campeonato Brasileiro eram da empresa e outros 2,5% da FPF. No caso do Campeonato Paranaense, 5% eram da FPF e outros 5% da Comfiar. O desvio chegaria a R$ 5 milhões.
O grupo também atuaria com contas da Comissão de Construção do Estádio do Pinheirão (Cocepe), do Colégio Técnico de Futebol Pinheirão (que na prática, não existia) e teria montado uma igreja em Santa Catarina. ''Essas empresas existiam apenas para receptar desvio de dinheiro. Todo material apreendido agora vai passar por auditores'', avisou Alexandre Bonzatto, delegado operacional do Nurce. O inquérito aponta ainda que o grupo também teria desviado R$ 350 mil de direitos de transmissão dos campeonatos paranaenses de 2006 e 2007.
Outro lesado teria sido a Federação das Associações dos Atletas Profissionais que teria direito a 1% das arrecadações das competições nacionais e desde 1994 não teria recebido nenhum centavo. Ao todo, teriam sido desviados mais de R$ 1,1 milhão da associação dos desportistas. Outra irregularidade teria sido constatado no feirão de automóveis que a FPF promovia no estacionamento do Pinheirão. Recursos teriam sido arrecadados para a Federação, mas não teriam sido incorporados no cofre da instituição desportiva. Os presos estão sendo indiciados por desvio de dinheiro, fraude processual, estelionato e apropriação indébita.

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