Polícia encontra R$ 92 mil escondido na FPF
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) da Polícia Civil confirmou ontem a apreensão de R$ 92 mil em dinheiro na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF), em Curitiba. Segundo o delegado-chefe do Nurce, Sérgio Sirino, a quantia não consta em nenhum registro contábil da instituição, o que seria mais uma prova do caixa dois que era promovido na FPF por seu ex-presidente, Onaireves Rolim de Moura, preso no último dia 6. A polícia afirma que agora passará a investigar também Aluízio Ferreira, que assumiu a presidência depois da saída de Moura.
Sirino conta que a apreensão do dinheiro ocorreu na última sexta-feira, depois de novos interrogatórios tomados pela polícia. Vistoriando o cofre da federação, os policiais notaram uma parte oca em uma das laterais. Usando ferramentas, eles quebraram o cofre e descobriram um fundo falso, onde estavam os R$ 92 mil em notas de R$ 20, R$ 50 e R$ 100. Além disso, vários cheques, cujo valor total ainda não havia sido levantado, também foram encontrados.
''A apreensão dá a idéia final de que a polícia tinha razão quando investigava os fatos criminosos apontados contra Onaireves Moura e sua turma'', resumiu o delegado do Nurce. ''Isso dá claramente para a polícia a idéia de lavagem de dinheiro. É uma prática típica do crime organizado, uma vez que você tem que esconder o dinheiro para ele não aparecer'', acrescenta.
Segundo Sirino, o dinheiro seria parte da arrecadação de jogos em todo o Estado, quantia que era repassada para FPF e não era devidamente contabilizado. ''Isso justamente para que fosse desviado, porque se ele fosse diretamente para os cofres ou a conta bancária da FPF, ele imediatamente teria que ser repassado aos credores da federação'', diz. ''Eles fraudavam os borderôs, fraudavam as contas e repassavam todo o numerário, semanalmente, para um contador da federação, que escondia parte do dinheiro, como foi constatado na sexta-feira'', completa. O delegado afirma ainda que este dinheiro costumava ser dividido entre integrantes da FPF.
A descoberta das cédulas em um funco falso no cofre da instituição é mais um resultado da chamada operação ''Cartão Vermelho'', deflagrada pelo Nurce no último dia 6. Na ocasião, além de Moura, outras oito pessoas foram presas, acusadas de desviar cerca de R$ 5 milhões da federação. De acordo com Sérgio Sirino, as investigações sobre o grupo de Moura já estão concluídas. ''Mas a existência de um dinheiro clandestino escondido dentro do cofre da FPF dá para a polícia muito mais argumento para continuar investigando a FPF e algumas ramificações'', afirma o delegado.
Agora, segundo ele, o alvo será o também ex-presidente da instituição, Aluízio Ferreira, que assumiu a federação depois da saída de Moura. Na semana passada, ele deixou o comando da FPF após decisão judicial, dando lugar a Hélio Cury. ''As investigações agora são contra o ex-presidente (Ferreira), que parece que estava adotando o mesmo sistema'', declara Sirino.


