Curitiba - Catarinense de nascimento, Onaireves Nilo Rolim de Moura, 60 anos, chegou cedo ao Paraná, onde foi proprietário de uma indústria de aço mas ganhou fama com o futebol. Entre 1982 e 83, ele presidiu o Clube Atlético Paranaense, formando um dos conjuntos mais fortes da história do clube, onde se destacava a dupla Assis e Washington.
Aquele grupo do Atlético conseguiu o bicampeonato paranaense e um terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 83. Foi o que bastou para Moura se eleger, em 85, presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), onde ficou por 22 anos, afastando-se somente neste ano. No período, ele fez aquela que foi considerada a sua maior obra, o Estádio Pinheirão, que chegou a ser leiloado este ano para pagamento de dívidas, mas o ato foi suspenso pela Justiça, que quer nova avaliação.
Também em razão das dívidas contraídas, sobretudo a falta de pagamento de tributos municipais e federais, Moura foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em 2000 e ficou preso por 63 dias. O nome dele aparece em vários processos, que vão desde questões trabalhistas até sonegação fiscal e formação de quadrilha. Ficou apenas por alguns períodos fora da FPF, mas sempre voltava com pompa.
Entre os processos, há um que apura crime financeiro na gestão de uma casa de bingo em Ponta Grossa. Em razão desse processo, o então presidente da FPF ficou preso por quase 60 dias, no ano passado, por ordem da Justiça Federal. Por não ter curso superior, não teve o privilégio de cela especial. Saiu exatamente quando corria o risco de perder a presidência da entidade.
Acusado no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pelos mesmos crimes que o levaram à prisão agora, Moura foi suspenso das atividades do futebol por seis anos e dois meses.
Mas as polêmicas envolvendo Moura não ficaram restritas ao plano esportivo. Em 89, ele foi eleito deputado federal e abraçou a causa do então presidente Fernando Collor de Mello, incluindo-se no que se convencionou chamar de ''tropa de choque'', defendendo com unhas e dentes o mandato presidencial. Chegou a promover um jantar para o grupo ''collorido'', mas, na hora da votação pelo impeachment, foi um dos que ajudaram a derrubar Collor. Logo depois, provou do mesmo veneno e acabou tendo o mandato cassado, sob acusação de pagar parlamentares para engrossarem o PSD, partido ao qual estava filiado - o Supremo Tribunal Federal o absolveu dessa acusação.
No ano passado, ele também envolveu-se com a criação de avestruz e montou a empresa Top Avestruz, pelo qual as pessoas compravam o direito à ave. Em razão da lesão financeira às pessoas que confiavam na empresa, uma ação civil pública movida pelo Ministério Público em São Paulo obrigou-o a fechá-la.

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