Polêmica, ataques e discussão colocam em xeque Clube dos 13
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Das Agências 
São Paulo - O Clube dos 13, entidade criada para representar os principais clubes do futebol brasileiro, atravessa uma crise sem precendentes em sua história, iniciada em 1987. Ontem, o Corinthians confirmou seu pedido de desfiliação. Pouco antes, os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro - Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco - divulgaram uma nota conjunta informando que tentariam negociar seus contratos de TV separadamente.
''O Corinthians comunica que a partir de hoje se desliga do Clube dos 13 e conduzirá negociações diretas com as empresas interessadas em adquirir os direitos de transmissão de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro de Futebol a partir do ano de 2012'', disse o presidente corintiano Andrés Sanchez, em nota oficial.
Para argumentar sua saída, o Corinthians faz duras acusações contra o Clube dos 13. Aponta ''desmandos administrativos'', ''contratações irregulares'' e ''irresponsabilidade''. Em seguida, vai mais longe e cita imparcialidade da entidade na relação com uma emissora de televisão.
''O simples fato de durante a reunião de ontem (terça-feira) da comissão de negociação do Clube dos 13 e seu diretor executivo, no meio das discussões, ter ligado para um alto executivo de uma das emissoras concorrentes para saber o que ele achava de uma deliberação que estava em discussão (confirmado por dois membros da comissão de televisão) e iria ser votada demonstra que este processo não está sendo conduzido com isenção e mácula'', disparou Andrés.
Diretor-executivo do C13 e responsável pela elaboração do estudo que originou o edital aprovado, Ataide Gil Guerreiro confirmou a ligação para a TV Record e defendeu-se da acusação de Andrés. ''A Globo não quer concorrência. O presidente Fábio Koff ligou para as outras emissoras também. Eu, pessoalmente, só não liguei porque tenho uma dificuldade de relacionamento com a Globo, justamente porque ela não quer concorrência'', argumentou.
Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, saiu em defesa do Clubes dos 13. ''Temos de parar de fazer papel de bobo. Aqui o assunto é dinheiro. Há quem tem interesse em melhorar seus clubes com lisura, edital aberto e transparência. Quem não quer isso que se explique. Vocês têm de ir lá perguntar para eles porque estão rasgando R$ 3,9 bilhões (possível valor global do contrato)'', disparou o atleticano.
Cariocas
A decisão do dirigente corintiano de desfiliar o clube da entidade foi mais um capítulo em um dia conturbado. No período da manhã, os quatro clubes grandes do Rio de Janeiro anunciaram que também tentariam negociar seus contratos de TV separadamente. Estes, no entanto, não pediram desligamento do Clube dos 13, que segue com poderes para negociar pelos cariocas.
O grande entrave para a saída de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo é a dívida dos quatro com o Clube dos 13. Os quatro têm cerca de R$ 60 milhões de cotas antecipadas com a entidade. O Corinthians também tem débitos, e terá de quitá-los antes de efetivamente se desfiliar.
O Clube dos 13 ainda divulgou detalhes dos valores que pretende alcançar apenas com o edital de TV aberta. Segundo Alexandre Kalil, todos os clubes terão um aumento considerável no próximo contrato, caso fechem com a entidade.
Corinthians, Flamengo, Vasco, Palmeiras e São Paulo, que compõem o grupo dos que mais recebem no C13, pulariam de R$ 16,8 milhões para R$ 42 milhões anuais. O Santos, que está isolado em um segundo grupo, iria de R$ 14,4 milhões para R$ 36 milhões anuais.
Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo vão de R$ 12 milhões para R$ 30 milhões. Os demais membros do Clube dos 13 pulam de R$ 9 milhões para R$ 24 milhões.


