Polêmica agita a demolição de parte do complexo do Maracanã
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Bruno Lousada eSílvio Barsetti<br> Agência Estado 
Rio - Juntos, eles somam 65 anos de vida. Mas estão com os dias contados. O Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros, no complexo do Maracanã, vão ser demolidos ao custo de muita controvérsia e podem inchar o orçamento da reforma prevista para o local que deve abrigar a final da Copa de 2014.
A Fifa exige uma área livre de 85 mil metros quadrados no entorno do Maracanã, a fim de criar espaços para patrocinadores, autoridades, imprensa e vips. O governo do Estado já decidiu atender a entidade com a implosão das duas instalações. Esse é um dos itens obrigatórios do edital de licitação do Maracanã, previsto para ser divulgado até o fim do mês.
Cultuado pelos cariocas como o maior estádio do mundo, o Maracanã se transformou nos últimos anos num canteiro de obras. Em 1999, às vésperas do Mundial de Clubes, submeteu-se a reformas estruturais que consumiram mais de R$ 100 milhões dos cofres públicos. Antes do Pan-Americano de 2007, houve outra intervenção e mais R$ 200 milhões foram gastos.
Agora, a estimativa é de que R$ 430 milhões serão injetados no Maracanã, a fim de prepará-lo para a Copa e os Jogos Olímpicos de 2016. ''Não tenho dúvida de que o orçamento vai estourar, como aconteceu no Pan'', disse Antônio Saraiva, um dos arquitetos que elaboraram o projeto do novo Maracanã.
''Só a cobertura (do estádio) vai custar R$ 200 milhões; mais R$ 200 milhões para as obras do estádio e soma-se, no mínimo, mais R$ 200 milhões para a retirada e a construção dos dois equipamentos em outro lugar'', declarou Saraiva, que se afastou do grupo de trabalho alegando não concordar com a demolição das duas instalações.
''Você quer o quê? Que a gente deixe de fazer a Copa só para que os velhinhos continuem fazendo hidroginástica ali do lado?'', reagiu a secretária estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Márcia Lins. ''As duas instalações não abrigam mais competições internacionais e serão transferidas, realocadas'', explicou Márcia, convicta de que as comunidades vizinhas ao estádio não vão ser prejudicadas com a mudança.
O Júlio Delamare foi reformado para o Pan por R$ 10 milhões, dispõe de piscina olímpica de 25m x 50m, outra coberta para aquecimento e ainda um tanque para saltos. Tudo isso, em ótimo estado, vai virar pó. Tanto o parque aquático quanto o Célio de Barros são tombados pelo patrimônio histórico municipal. Mas basta uma ''canetada'' do prefeito Eduardo Paes para reverter o jogo.
Em defesa das instalações, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) lançou um projeto de lei contra a demolição. Segundo ele, a ação contra o parque e o Célio de Barros é avalizada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), sob protesto de atletas e comunidade. Um documento com mais de 5 mil assinaturas foi entregue no Ministério Público Estadual contra a extinção dos dois equipamentos.


