POEIRA, LAMA E ADRENALINA - A primeira vez é inesquecível
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sábado, 09 de julho de 2005
Rodrigo Lima<br> Reportagem Local 
Quando o despertador tocou, às 6h40 de sábado, dia 2 de julho, já tinha certeza de aquele seria um dia inesquecível. Afinal, seria a primeira vez que pilotaria um carro num rali de regularidade. No encontro com os outros integrantes da equipe da Folha de Londrina, o fotógrafo/navegador Carllos Bozelli e o repórter/zequinha Thiago Mossini, tentávamos esconder a ansiedade que tomava conta daquele grupo de ''marinheiros de primeira viagem'' a pouco menos de 30 minutos da largada da etapa de Londrina do Mitsubishi MotorSports.
Para aumentar ainda mais nossa ansiedade, fomos informados que a chave do nosso carro tinha sido levada, por engano, para o local onde seria disputado o Mitsubishi Cup (rali de velocidade), a 60 quilômetros do local da largada do MotorSports. ''A chave vai chegar a tempo, fiquem tranquilos'', garantia Renata Souza Ramos, diretora de Marketing da Mitsubishi.
A voz do diretor de prova, Lourival Roldan, nas caixas de som, era a senha para o início da prova. Roldan explicava alguns pontos da planilha que revelava o percurso de 160 quilômetros que os 123 carros da categoria Turismo iriam enfrentar durante quatro horas por estradas e trilhas de Londrina, Cambé, Jaguapitã e Rolândia.
''O carro chegou. Aos 44 minutos do segundo tempo'', anunciava Renata. Aliviados, tivemos o primeiro contato com nossa Pajero TR4 número 110, cedida pela organizadora do rali, já na fila para a largada cada carro largava de um em um minuto.
Antes de entrar no carro, posamos para as primeiras fotos, agora sim, como competidores de rali. Preocupado com nossa inexperiência, o comerciante Valdemir Fernandez, 44 anos, de Pouso Alegre (MG), piloto da L200 número 111, disparou: ''Você já fez rali? Se tiver algum problema ou perder a trilha, abra espaço para eu passar''. Pronto. Começava ali, com uma ''ameaça'' do piloto do carro que largaria um minuto depois da nossa Pajero 110, o maior rali monomarca da América Latina.
De olho no tempo Cronômetro do navegador aferido com o relógio da prova, descemos a rampa de largada rumo ao desconhecido. Os primeiros metros seriam fáceis, afinal estávamos dentro do perímetro urbano de Londrina, nos dirigindo para o Patrimônio Espírito Santo.
''Agora o 'bicho vai pegar''', avisei meus companheiros ao engatar a 4x4 para entrar numa estrada de terra. Bozelli, concentrado na planilha e preocupado também em fotografar nossa aventura, dava as coordenadas do percurso e qual a velocidade indicada pela planilha.
O ''zequinha'' como os ralizeiros chamam o terceiro integrante da equipe Thiago Mossini ainda lutava contra uma forte gripe que quase o tirou da prova. Ele auxiliava o navegador, tentando controlar nosso tempo para não passarmos atrasados ou adiantados nos postos de controle (PC).
Aliás, os PCs são os grandes ''inimigos'' dos competidores. A maioria dos postos ficam escondidos atrás de árvores, moitas ou em curvas. E são nesses PCs que o resultado de um rali de regularidade é decidido. Passando atrasado ou adiantado, perde-se pontos.
Fora da estrada Nosso primeiro erro ocorreu com pouco menos de 30 minutos de prova. Passamos direto quando deveríamos fazer uma curva à direita e perdemos mais de seis minutos andando em meio a plantações. Foi preciso correr para recuperar o tempo perdido.
Novamente na trilha, veio o primeiro desafio. À frente de um lamaçal o diretor de prova Lourival Roldan dava dicas para não encalhar. ''Agora eu quero ver se você tem braço'', provocou Bozelli. ''Então desce e vai fotografar nosso carro passando pela lama'', retruquei.
Com a tração engatada, venci a lama e seguimos nossa aventura. Pouco tempo depois, o segundo erro. Num labirinto de trilhas, dentro de uma mata fechada, erramos o caminho mais uma vez. De novo, tivemos que acelerar para recuperar o tempo perdido.
A última surpresa antes do retorno para Londrina foi a passagem por um riacho, onde nós e vários outros competidores perdemos a placa da frente dos carros. O local, um posto de controle, ficou conhecido como o ''PC da placa''.
Resultado Cansados, mas satisfeitos por chegarmos ao fim do rali, aguardávamos agora o resultado da prova. Um bom 84º lugar (3.784 pontos perdidos) foi bem recebido pela nossa equipe. Afinal, chegamos à frente de 39 carros (quatro desses foram eliminados). Ah, e o nosso ''adversário'' mineiro, que pedira passagem no início do rali, terminou a prova na 100 colocação (13.037 pontos perdidos).


