Pódio une atletas das rivais bélicas Rússia e Geórgia
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domingo, 10 de agosto de 2008
Folhapress 
Shenyang - Além da medalha de ouro da China, a imagem que vai ficar da prova da pistola de ar 10 m do tiro olímpico é o abraço e a emoção das medalhistas de prata e bronze.
Com seus países em conflito armado, que segundo relatos já matou entre 1.500 e 2.000 pessoas, Natalia Paderina, da Rússia, e Nino Salukvadze, da Geórgia, foram ao pódio em clima de emoção. A georgiana já cumprimentara a russa de forma efusiva após o último tiro.
''É uma medalha muito importante para a Geórgia, especialmente nestes tempos. Estou muito nervosa. São horas difíceis para nosso povo'', afirmou Nino. Na final, ela foi superada por Natalia e pela chinesa Guo Wenjun.
A delegação da Geórgia chegou até a cogitar em abandonar a Olimpíada, mas recuou por solicitação do governo do país, em decisão que foi aplaudida pelo COI. ''Isso reflete o espírito olímpico e os valores dos Jogos, afirmou a porta-voz do comitê, Giselle Davis. Mas nem todos concordaram com a decisão do governo. ''Eu teria ido (de volta ao país)'', afirmou nadador Iraki Revishvili, 18, que diz só não ter abandonado os Jogos por medo de uma desqualificação por oito anos. ''Esporte é uma coisa. Guerra é outra.''
A disputa no tiro não deve ser a única que vai envolver os dois países, que disputam a região da Ossétia do Sul. A Rússia, que não conseguiu ganhar um ouro nos dois primeiros dias de provas, e Geórgia estão entre os favoritos de outras modalidades, especialmente as de armas e combates. Na luta, os dois vizinhos estão entre as maiores forças e candidatas ao pódio.


