São Paulo - Ricardo Teixeira, 61 anos, completa neste mês 20 anos no comando da CBF com o status de dirigente que não precisa bajular políticos do País. Pelo contrário, eles é que têm de cortejá-lo. Pelo menos é assim que seus colaboradores definem a situação do dirigente, que sobreviveu a duas CPIs, inúmeras denúncias e escândalos de arbitragem na entidade.
Enquanto seus ex-colegas se aposentaram, alguns banidos de suas equipes, como Alberto Dualib, no Corinthians, Teixeira resistiu, transformou inimigos em aliados e montou uma base política capaz de sufocar uma terceira CPI.
Ao mesmo tempo, ganhou força na Fifa e chegou ao auge assegurando a Copa do Mundo de 2014 para o Brasil. Para se manter no poder conseguiu algumas de suas reeleições à base de um sistema montado com congressistas ligados a clubes e federações.
Quem acompanha o cartola desde os depoimentos no Congresso cita a CPI como um divisor de águas. Até lá, o dirigente fazia conchavos com outros cartolas, assinava viradas de mesa para evitar rebaixamentos e assegurava poder político para se reeleger seguidamente.
As CPIs revelaram algumas das práticas de Teixeira para se manter no poder. Análise das contas da CBF revelou que, a partir de 1998, a entidade criou uma rede de influência política no país com doações em dinheiro (as doações seguem até hoje). Assim foi criada a bancada da bola, que agiu para que o relatório da CPI da Câmara, não fosse votado. Já o relatório do Senado, que o acusou, entre outros crimes, de apropriação indébita dos recursos da entidade, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O governo federal pediu a saída de Teixeira, mas a vitória na Copa-2002 e o apoio de cartolas o mantiveram no cargo em 2003.
A CPI do Senado foi motivada por denúncias de uma ex-secretária do técnico Vanderlei Luxemburgo. Ela acusava o treinador de sonegação fiscal, escalação de jogadores baseada em interesses comerciais e falava até de reuniões de altos dirigentes do futebol para combinar resultados de jogos. Na Câmara, também foram investigadas as contas da confederação e o contrato da CBF com a Nike.
Em sua defesa, Teixeira alegou que a CPI não provou que nenhum centavo da entidade foi parar em suas contas. Teixeira não se abalou e conseguiu se aproximar até de um ex-inimigo, Aldo Rebello, que presidiu a CPI da Câmara.
Ao mesmo tempo em que cuidava da política interna, o cartola se fortalecia na Fifa. Seus aliados asseguram que ganhou o direito de fazer o Mundial no Brasil pelo fato de Joseph Blatter temer enfrentá-lo numa eleição. Ocupado com a Copa, não se meteria no caminho do dirigente suíço. Trazer a Copa para o Brasil, foi a senha para o início de um intenso ''beija mão''. Em 2008, todos os governadores do país se encontraram ao menos uma vez com Teixeira que, por sua vez, tem trânsito livre com o presidente Lula.
Hoje, o cartola é mais resistente aos apelos populares para trocar de técnico. Ao mesmo tempo em que transformou a CBF numa entidade milionária, Teixeira criou jogadores com status de astros. Após fracassar na Copa-06, porém, cortou asas dos medalhões e passou a pregar ''espírito amador''.

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