Poder da dupla Eurico e Viana é o motor da crise
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Sílvio Barsetti 
Rio, 18 (AE) - A crise no futebol carioca arrasta-se há vários anos e é motivada pelo excesso de desmandos e de poder da dupla Eurico Miranda (vice-presidente de Futebol do Vasco) e Eduardo Viana (presidente da Federação de Futebol do Rio). Eles organizam e alteram tabelas, modificam os horários de jogos, definem juízes para rodadas importantes do Campeonato Estadual, impõem o local em que partidas devem ser disputadas e defendem-se mutuamente. Miranda, reeleito deputado federal pelo PPB, em outubro, com mais de 100 mil votos, recebeu o apoio de dezenas de ligas municipais de futebol do Estado - base eleitoral de Viana para se perpetuar na federação.
A influência dos dois nos rumos do futebol carioca é tão forte que nem mesmo a união de Flamengo, Fluminense e Botafogo foi capaz de detê-los. Os três clubes reuniram-se várias vezes, desde 1994, para combater a política protecionista de Viana ao Vasco. Chegaram a fundar uma liga independente e discutiram a possibilidade de criar um torneio regional com a inclusão de Atlético-MG, Cruzeiro, Goiás e América-RJ, sem a participação do Vasco. Esse torneio substituiria o Campeonato Estadual e seria disputado no primeiro semestre de cada ano.
A idéia não foi levada adiante por causa de articulações de Viana, que, estrategicamente, adulou os clubes rebeldes com promessas de ajuda na composição da tabela do próximo Estadual e outras vantagens - algumas delas mais transparentes, como a de lutar pelo aumento do número de clubes cariocas na Copa do Brasil. O maior opositor da dupla nos últimos anos foi o ex-presidente do Flamengo, Kléber Leite. Ele dirigiu o clube da Gávea de 1995 a 98, período em que propôs aos dirigentes de Fluminense e Botafogo o isolamento do Vasco no futebol do Rio e um boicote a Viana. Nas duas gestões de Leite, os títulos estiveram escassos para a torcida rubro-negra.
Miranda, de temperamento explosivo e pouco disposto ao diálogo
tem a seu favor uma certa simpatia de parte da imprensa carioca
com quem mantém um relacionamento amistoso - suas atitudes de cartola, quase sempre, são analisadas pela "crítica" como gestos de amor ao Vasco. Ele se diz fiel ao presidente do clube, Antônio Soares Calçada, mas toma decisões sem consultá-lo. O dirigente divide seu tempo entre o Rio e o Congresso Nacional e mantém contato com Viana pelo menos uma vez por semana. Miranda planeja servir à Confederação Sul-Americana de Futebol, após o término de seu mandato na Câmara dos Deputados.


