Pneus podem definir vencedor do GP do Brasil18/Mar, 12:32 Por Livio Oricchio São Paulo, 18 (AE) - A 29ª edição do GP do Brasil será mesmo muito especial, nos planos promocional, esportivo e técnico. Por exemplo: a prova terá o maior público da sua história: 62 mil espectadores só no domingo. O País conta novamente com um piloto capaz de vencer, Rubens Barrichello na Ferrari, e o autódromo já está sendo chamado de "o novo Interlagos." E é exatamente na pista que está um dos desafios técnicos da corrida, diferentemente dos outros anos: "Esse asfalto novo consumirá bastante os pneus", afirma o diretor da prova, Carlos Montagner. Pedro Paulo Diniz, da Sauber, definiu o novo asfalto, ainda sem uso, como uma "lixa." Além de não ter a borracha dos pneus dos carros, a composição desse tipo de asfalto é distinta da anterior. "A concentração de pedras é maior", explica o engenheiro Tomas, da Emurb, um dos responsáveis pela obra. Quem caminha pelo novo piso percebe facilmente as arestas dessas pequenas pedras expostas milímetros acima da manta asfáltica. Por conta das incertezas do novo piso, a Bridgestone oferecerá a opção dos pneus duros em Interlagos, enquanto na Austrália estavam disponíveis apenas os médios e os moles. Esse pneu mais duro tende a ser o escolhido pelos pilotos, por resistir mais à perda de borracha provocada pelo elevado atrito com o novo asfalto. Para Diniz, o primeiro dia de treinos, sexta-feira, será o mais difícil para os pneus. "Não há borracha e a pista está suja." A maioria dos pilotos deverá utilizar nesse primeiro treino livre um único jogos de pneus, se resistir, dos sete disponíveis para o fim de semana. O objetivo maior será preservar os demais para desgastantes 72 voltas da competição, a ser disputada possivelmente sob calor intenso, no caso de não chover. Permanecer parado no box, à espera que os outros pilotos emborrachem o asfalto, também não será possível, já que é preciso ganhar quilometragem com o carro para conhecer o tipo de ajuste exigido pelo "novo Interlagos." As equipes que conseguirem maior equilíbrio no chassi terão vantagens ainda maiores que em outras pistas, em razão de seu consumo de pneus ser menor. O melhor uso dos pneus pode definir o vencedor do GP do Brasil. Enquanto na etapa de Melbourne um único pit stop resolvia com folga o problema do desgaste, a expectativa em São Paulo é de, mesmo com pneus duros, duas paradas nos boxes, no mínimo.