São Paulo, 08 (AE) - O 2.º Batalhão de Choque da Polícia Militar, responsável pelo policiamento nos estádios, está caçando os torcedores que levam bombas de fabricação, à base de pólvora e bolinhas de gude, aos jogos. O major PM Marcos Cabral Marinho de Moura, subcomandante do 2.º Batalhão de Choque, disse ontem que identificar e prender esses torcedores virou uma prioridade da Polícia Militar. "Estamos atrás desses indivíduos para colocá-los na cadeia", disse o major.
"Queremos pegar pelo menos um para servir de exemplo." O oficial da PM explicou que a polícia conta com o apoio do promotor público Fernando Capez, que também está atrás desses torcedores. O major Marinho anda até com o texto dos artigos 251 e 253 do Código Penal, que combate o uso de bomba de fabricação caseira, no bolso. Pelo 251, quem for pego arremessando esse tipo de explosivo pode ser condenado de 3 a 6 anos de reclusão, além de indenizar algum patrimônio que possa ter sido atingido pela bomba.
No caso do 253, quem fabricar, fornecer ou transportar a bomba caseira poderá ser condenado de 6 meses a 2 anos de detenção. A preocupação da Polícia Militar com esse problema aumentou depois que a polícia apreendeu 15 bombas de fabricação caseira, na região do Jaguaré, pouco antes do clássico entre Corinthians e Palmeiras, pela Taça Libertadores da América, dia 17 de março, no Morumbi. As bombas estavam em poder de torcedores do Palmeiras, todos com 14 anos.
No dia seguinte ao jogo, um gari feriu-se ao recolher uma bomba na praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao estádio, que, supostamente, havia sido abandonada por um torcedor. O major Marinho disse que a polícia está adotando uma estratégia para infiltrar policiais entre grupos suspeitos de torcedores para tentar fazer o flagrante, evitando, assim, que os adultos livrem-se da situação, passando as bombas para os menores, na hora em que a polícia se aproxima para fazer a revista.
Esse tipo de despiste, segundo a PM, pode ter sido utilizado no caso do Jaguaré. A Polícia Militar ressalta que os incidentes nos estádios diminuíram sensivelmente depois que a Justiça proibiu a venda de bebidas alcoólicas e extinguiu as facções das torcidas uniformizadas no estádios. Os incidentes maiores acontecem na saída dos estádios em pontos isolados na cidade.
O major Marinho afirma que as torcidas não têm mais um grande líder, como ocorreu na época em que as uniformizadas se encontravam a caminho dos estádios ou durante os jogos. Portanto
o oficial da PM considera um exagero afirmar que as torcidas, com a proibição de aparecer nos estádios, passassem a adotar uma tática de guerrilha, obrigando a polícia a adotar uma estratégia antiguerrilha para combatê-las. "Isso realmente não existe.", afirmou o major.

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