São Paulo, 02 (AE) - A Polícia Militar decidiu relaxar a marcação às torcidas organizadas. Desde o jogo do Corinthians contra o Independiente, realizado quarta-feira no Pacaembu, as organizadas - no caso a Gaviões da Fiel - foram liberadas a levar aos estádios alguns itens até então proibidos, como instrumentos musicais, bandeiras (sem mastro e identificação da torcida) e sinalizadores de fumaça colorida.
A decisão foi tomada no mês em que se completam quatro anos da proibição da entrada das torcidas organizadas nos estádios, decretada pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Nesse período, não foi registrado pela PM nenhum incidente mais grave no interior dos estádios paulistas. Por isso, a corporação decidiu dar um voto de confiança aos torcedores.
Segundo o major Marcos Marinho, do 2.º Batalhão de Choque da PM, o objetivo da liberação é fazer voltar a alegria aos estádios. "Queremos dar uma maior liberdade ao torcedor comum, que foi penalizado com as restrições", explica o major.
Mas essa concessão não poderia ser o primeiro passo para o retorno das organizadas? Para o major Marinho essa é uma possibilidade remota. "Continua proibida a entrada de bandeiras, camisas e qualquer objeto com nomes de torcidas, além de gritos de guerra e cantorias estimulando a violência", esclarece Marinho.
O acordo com as organizadas, afirma o major, é uma tentativa de dividir a segurança dos estádios com os integrantes das torcidas. "Se vai dar certo, só o tempo vai dizer, mas se não houver colaboração dos torcedores, vamos retirar tudo", avisa Marinho.
Ceticismo - O promotor público Fernando Capez, responsável pela fiscalização da ação das organizadas, é cético quanto ao acordo entre a PM e as torcidas. Ele ressalta que o Ministério Público não foi consultado pela Polícia Militar, mas imagina que a corporação tenha uma plano de trabalho definido. "Por enquanto, minha posição é de expectativa", diz Capez. "Mas considero uma boa idéia tudo o que é feito para melhorar a festa."
O ceticismo de Fernando Capez tem fundamento. Ele acompanhou de perto os atos de selvageria dos torcedores nos estádios desde o conflito entre palmeirenses e são-paulinos no Pacaembu, em 1995. O promotor foi um dos principais responsáveis pelo fechamento da Torcida Independente, do São Paulo, em junho. "Era a torcida mais perigosa de São Paulo", afirma Capez.
É exatamente por conhecer bem o comportamento agressivos de certos grupos de torcedores que o promotor vai continuar com um pé atrás. "Acho que esse acordo não vai dar certo, pois os chefes das torcidas são os mesmos de sempre; eles já fizeram promessas no passado e não cumpriram nada", acredita Capez. Para ele, "não há condições de negociar com pessoas que adotam certo discurso, mas que na prática agem completamente diferente". "Conheco bem as boas intenções desses torcedores", ironiza o promotor.

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