PM muda estratégia de combate à violência nos estádios
São Paulo, 19 (AE) - Eles são menores em sua maioria - 95% pela avaliação da Polícia Militar - e tentam, de todas as formas, driblar as autoridades. Nos últimos tempos, estes pseudotorcedores têm tentado acabar com o clima de paz, levando bombas caseiras para os estádios de futebol e suas imediações. A reunião desses torcedores e algumas brigas têm acontecido cada vez mais longe dos estádios, em regiões periféricas, o que obrigou a PM a mudar as estratégias de policiamento.
"Todos os setores da PM que fazem o policiamento ostensivo estão orientados a abordar torcedores e pessoas suspeitas", explica o major Marcos Marinho, subcomandante do 2º Batalhão de Choque da PM, até então, único responsável pela segurança em dias de jogos. "O policiamento nos estádios e imediações também tem sido itensificado", afirma Marinho.
Segundo o major, a PM conseguiu mapear alguns pontos considerados críticos nos dias de jogos. Quando a partida é realizada no Pacaembu, por exemplo, as estações Marechal Deodoro e Barra Funda do Metrô são as mais problemáticas. Se o jogo é no Morumbi, a Praça da Bandeira, de onde partem muitos ônibus para o estádio, requer atenção especial, assim como todo o trajeto até o Morumbi, principalmente na Avenida Nove de Julho.
O surgimento de artefatos explosivo também tem aumentado. Antes, a PM achava de dois a três bombas por jogo. Nos últimos dois clássicos, foram encontradas 27 granadas. Para conter tais "marginais", como classifica Marinho, é preciso também de sorte. Muitas vezes, os torcedores conseguem escapar da fiscalização. "Apesar das dificuldades, o trabalho da PM tem dado resultado", diz.
DETIDOS - Marinho lembra do episódio do jogo entre Corinthians e Palmeiras, quarta-feira, no Morumbi, quando seis torcedores palmeirenses, sendo cinco menores, foram detidos na região do Jaguaré, zona oeste da capital, antes da partida. Eles carregavam 15 bombas de fabricação caseira. "No máximo, quando o caso é considerado grave, os menores são encaminhados para o SOS Criança", afirmou o major. "Nem sempre é possível identificar quem é o responsável pela bomba."
Na quinta-feira, um dia após o clássico, uma tragédia não conseguiu ser evitada. O gari Pedro Amâncio de Almeida, de 43 anos, teve três dedos parcialmente decepados, depois da explosão de uma bomba deixada a poucos metros do Morumbi. Almeida fazia a limpeza da região, ao lado de um outro gari, que foi atingido por estilhaços da bomba em uma das canelas.
Almeida foi levado para a Santa Casa de Misercórdia por um helicóptero da PM. "No estádio, há milhares de pessoas e o controle é complicado", lembra Marinho.





