PM abre inquérito para apurar agressão contra atletas do LEC
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segunda-feira, 26 de março de 2001
Claudemir ScaloneDe Londrina 
O comando do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina decidiu abrir um procedimento administrativo para apurar a agressão de alguns soldados a jogadores do Londrina. Um oficial deverá ser nomeado até amanhã para presidir o inquérito. Se for confirmado o excesso dos PMs, os envolvidos poderão ser punidos com repreensão e até prisão. O episódio levou o presidente do Londrina, Agostinho Miguel Garrote, a visitar o batalhão ontem à tarde para pedir providências ao major Manoel da Cruz Neto, comandante interino do 5º BPM. Ele foi acompanhado pelo advogado do clube Osvaldo Sestário Filho.
O conflito ocorreu no intervalo do jogo de domingo contra o Francisco Beltrão, no Estádio do Café. Irritados com a fraca atuação do árbitro Nilo Neves de Souza Júnior que não apitou pelo menos um pênalti claro a favor do Londrina e deu outro inexistente para o Beltrão, os atletas londrinenses cercaram o juiz no intervalo do jogo e foram reprimidos com violência por alguns PMs do Pelotão de Choque.
O meia Nem foi atingido com um cacetete nas costas. Foi um fato lamentável.
Ninguém foi lá para bater no árbitro, afirmou o jogador ontem, já refeito do susto. Em cinco anos como profissional, o meia lembra que jamais enfrentou fato semelhante. Está um pouco dolorido ainda mas já faz parte do passado. O zagueiro William levou um chute. Os programas esportivos da TV mostraram ontem o exagero e a truculência dos soldados. Esse não foi o primeiro incidente envolvendo a PM no Estádio do Café. No domingo anterior, um torcedor foi agredido pelos soldados após tentar reter a bola que fora chutada em direção à arquibancada. Os demais torcedores se revoltaram e por pouco não houve um conflito generalizado nas arquibancadas.
Agostinho Garrote ficou satisfeito com a conversa com o major Manoel da Cruz Neto e o capitão Cieslak. A PM sempre foi receptiva com o Londrina e nunca nos criou problemas. Não podemos condenar todo um batalhão pela conduta isolada de dois ou três soldados, ponderou ele. Segundo Garrote, o comando do 5º PM prometeu apurar as responsabilidades e punir quem cometeu excessos.
Segundo a assessoria de relações públicas da PM, um oficial será indicado até amanhã para iniciar as investigações sobre o episódio. Além dos recortes de jornais e imagens da TV, serão ouvidos ainda os testemunhos dos envoldidos no caso, como os soldados e os jogadores. Os tenentes Anderson, do Pelotão de Choque cujos soldados se envolveram no conflito, e Siloto, que chefiava o policiamento nas arquibancadas, devem ser os primeiros a serem ouvidos no inquérito. O prazo para conclusão do inquérito é de 35 dias.


