Platini coloca Blatter contra parede
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Zurique - A crise na Fifa ameaça romper com o futebol mundial. A entidade realiza hoje a sua eleição mais polêmica da história. Mas, enquanto Joseph Blatter foi buscar apoio entre as pequenas delegações, a Uefa fez uma ameaça sem precedentes: uma eventual vitória do suíço poderia obrigar a Europa a abandonar a entidade. Michel Platini, presidente da Uefa, revelou que deu uma espécie de última chance a Blatter, solicitando que ele pedisse sua demissão ontem, o que não foi aceito.
Epicentro dos lucros do futebol mundial, a Europa decidiu colocar Blatter contra a parede por estar buscando seu quinto mandato consecutivo. "Somos um dos pilares do futebol e precisamos assumir nossas responsabilidades. Precisamos repensar nossa relação com a Fifa. Não podemos continuar assim", disse Platini.
Questionado se isso poderia significar a saída da Uefa da estrutura da Fifa, ele foi direto: "claro". Platini também não descarta que seleções nacionais peçam para não jogar torneios da Fifa, como a Copa do Mundo. "Tudo está sobre a mesa. Mas vamos ver o que dizem as seleções nacionais", declarou. Uma reunião de emergência está marcada para o dia 6 de junho.
Platini chegou a alertar Blatter a evitar o pior. Ontem, em uma reunião de emergência, ele implorou ao suíço que, pelo bem da Fifa, deixasse seu cargo. Blatter o respondeu que já era "tarde demais" e teria de seguir na corrida. "Basta", disse o francês. "Ele já perdeu. A Fifa já perdeu", insistiu. Platini indicou que Blatter estaria "perturbado". "É um nojo. Chega", afirmou.
Há dois dias, a Uefa chegou a propor um boicote às eleições. Mas a posição foi revista ontem. Pelos cálculos dos europeus, o boicote significaria nesse momento a certeza de que Blatter teria mais quatro anos como presidente da entidade.
A esperança da Uefa é de que todos os seus 54 membros votem no príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein. A manobra visa tentar derrubar a candidatura de Blatter. "Estou otimista", declarou o candidato. Ele teria apresentado aos europeus uma lista de outros 60 votos que teria obtido pelo mundo, sem contar ainda com os votos da Uefa. "Fazemos o pedido para que todo o mundo faça o mesmo e apoie Ali. A reforma que a Fifa deveria fazer foi feita pelo FBI", disse Platini, que acredita que as prisões desta semana abrem as chances para a vitória de Ali.
REFORMA
Falando pela primeira vez desde as prisões de sete de seus dirigentes nesta semana em Zurique, Blatter insistiu na abertura do Congresso Anual da Fifa que é ele quem fará a reforma da entidade. "Somos uma vasta maioria que gosta do futebol, não pelo poder, mas pelo amor ao futebol e para servir a outros". Para ele, os crimes vem apenas de casos "individuais" e se trata de uma "minoria".
"Confesso que será um caminho longo e difícil para reconstruir a credibilidade. Perdemos e vamos reconquistar por meio das ações e como agimos de forma individual", alertou. Blatter ainda pediu "solidariedade". "Estamos todos unidos", insistiu o presidente da Fifa. "Esse é um momento difícil e sem precedentes", reconheceu.


