Plano de voo tinha falhas
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2016
Agência Estado 
Santa Cruz de la Sierra - O plano de voo do avião da LaMia que caiu nas cercanias de Medellín, matando 71 pessoas e deixando seis feridos, foi alvo de vários questionamentos. Recebeu pelo menos cinco observações feitas por Celia Castedo Monasterio, funcionária da Aasana - a agência nacional de aviação da Bolívia - responsável pela revisão de todos os planos de voo do Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. Ainda assim, a viagem foi permitida.
As falhas foram reveladas pelo jornal boliviano El Deber, de Santa Cruz, que teve acesso ao plano de voo, entregue por Álex Quispe, um dos sete tripulantes que estavam no avião e que morreu na queda. Celia Castedo indicou que a autonomia do voo não era adequada, que faltava um plano de voo alternativo e que o informativo foi mal preenchido, exigindo algumas mudanças.
A principal observação apontava que o tempo previsto de voo entre Santa Cruz de la Sierra e o Aeroporto José María Córdova, em Medellín, era igual a autonomia de combustível que tinha a aeronave RJ85, cuja matrícula é LMI2933. O tempo estimado da rota era de 4 horas e 22 minutos, e a distância a ser percorrida era de 2.985 km, apenas 15 km do alcance máximo do jato, cerca de 3 mil km.
Quispe argumentou que o capitão do voo, Miguel Quiroga, havia passado a informação e que o tempo seria suficiente. "Não, senhora Celia, eu tenho essa autonomia, nos parece bem... Assim, sem complicações, faremos (o voo) em menos tempo, não se preocupe. É simples, tudo bem, então simplesmente deixe-me (prosseguir com o plano de voo)", disse Quispe, segundo documento descrito pelo El Deber.
Para receber autorização de voo na Bolívia é necessário ter combustível suficiente para cumprir a viagem até o destino final, para chegar até um aeroporto auxiliar mais próximo do destino e ainda ter condições de sobrevoar 45 minutos sobre esse segundo aeroporto.


