Planejamento, sorte e proteção divina são armas da Adap
Quando seu time iniciou a pré-temporada, ainda em dezembro do ano passado, o presidente Adilson Batista Prado não teve medo em disparar quando questionado pela reportagem da Folha sobre os objetivos da equipe no Campeonato Paranaense. ''Vamos chegar à final e, se possível, seremos campeões''.
Quatro meses depois, com parte da promessa cumprida, Prado revela o segredo do sucesso da Adap. ''Com planejamento você passa a ter chances e tivemos como aliados o fator sorte e a proteção divina'', apontou.
A Adap tem apenas sete anos de vida e foi fundada em Jacarezinho. Há cinco anos fez de Campo Mourão sua cidade sede e passou a disputar a Primeira Divisão na vaga do extinto Ponta Grossa. O clube pontagrossense abriu mão da vaga por problemas financeiros.
A Adap é uma equipe moderna no quesito administração. É um clube-empresa e tem um modelo de gestão diferenciado dos tradicionais e endividados clubes. O objetivo é o lucro e para isso é preciso ter credibilidade e sempre estar entre os primeiros. ''Embora sejamos um clube novo, disponibilizamos os salários e premiações em dia e damos uma estrutura de time grande para que os jogadores possam trabalhar bem'', disse Prado.
E a estrutura é realmente invejável. O Centro de Treinamentos do clube tem sete campos de futebol e um grande alojamento onde mora a maioria dos jogadores. Além disso, todos os pedidos da comissão técnica são atendidos, como retiros, concentrações em locais estratégicos e tudo mais que um time precisa para ser campeão.
O time não tem estrelas e uma das grandes armas é a manutenção da base do elenco, que em sua maioria, joga junto há pelo menos dois anos. Por se tratar de um clube-empresa, constantemente jogadores são negociados em meio a competições. Mesmo assim, o nível é mantido. O atacante Washington, do Palmeiras, por exemplo, é atleta da Adap. ''Temos um elenco forte e grande que não sente a perda de um ou outro jogador'', avaliou Prado.
É dessa forma que o time mantém seu caixa sempre no azul. Apesar de o uniforme parecer macacão de piloto de Fórmula 1 pela quantidade de patrocínios, o dinheiro arrecadado é muito pouco. Representa apenas 15% das despesas mensais do clube. Com a ajuda da Esconorte, uma construtora de propriedade do presidente do time e com a negociação de jogadores, o clube paga os cerca de R$ 3,5 milhões anuais de gastos.
Os custos certamente aumentarão. Com a vaga na Série C do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil de 2007, o palnejamento terá que ser refeito. ''Vamos fazer um debate geral com a sociedade de Campo Mourão para discutir o futuro da Adap na cidade'', adiantou Prado. (T.M.)





