Londrina - O empresário de futebol Marcello Placidi, 73 anos, italiano que vive entre Turim, São Paulo e Cambé (na região de Londrina), é uma figura famosa, mas desconhecida dos paranaenses. A equipe da FOLHA foi até uma de suas residências, uma espaçosa casa de veraneio no Centro de Cambé, para conversar sobre um garoto de Rolândia que - por intermédio de Placidi - está prestes a se transferir para a Juventus, de Turim, quando se deparou com um personagem pra lá de interessante.
Dono de uma simplicidade incomum para as posses que tem - imóveis espalhados pelo Rio de Janeiro, casa na Itália, mansão em São Paulo na região dos Jardins e uma propriedade rural no Paraná -, o empresário recebeu a reportagem na varanda e fez questão de mostrar fotos e falar primeiro de suas andanças pelo mundo e a história da família antes de ir ao assunto futebol. Placidi, que ficou famoso ao intermediar a venda do "doutor" Sócrates para a Fiorentina, em 1983 - negociação que abriu caminho para outras tantas -, é um homem cheio de histórias e que exerceu quatro profissões antes de se ligar ao futebol.
Herdeiro de família tradicional que possui até hoje um castelo na Itália (conforme mostrou em fotos), Placidi foi presidente da principal torcida organizada da Juventus, seu time do coração, além de jornalista, brigadeiro da Força Aérea Italiana, comandante de vôo da Alitalia e pilotou até o avião oficial do presidente Sandro Pertini, na década de 80.
Desta época, também testemunhada por fotos, Placidi lembra de um episódio que marcou sua carreira como piloto. "Fui com o presidente Pertini até Madri buscar a seleção italiana após ela ter se sagrado campeã da Copa da Espanha, em 1982. A figura central, como não podia deixar de ser, era o Paolo Rossi, que com seus três gols contra o Brasil talvez seja odiado até hoje por aqui", comentou.
Dos contatos que tinha com dirigentes de clubes italianos, Placidi começou então suas incursões no mundo do futebol e em 1983 acertou a venda de Sócrates para a Fiorentina, na época uma transação milionária. Nos anos seguintes negociou Careca com o Napoli, Mirandinha (ex-Palmeiras) com o Newcastle, da Inglaterra, e depois com o Deportivo La Coruña, e por último acertou a venda do atacante Luizão para o La Coruña. Depois dessa última transação, em 1994, o empresário interrompeu os negócios com o futebol para se dedicar somente à função de instrutor e examinador de pilotos de jato.
"Porém, este ano voltei a mexer com o futebol porque os clubes italianos estão famintos, necessitados de jogadores jovens, o que quase não existe por lá". Casado com uma brasileira de Cambé - motivo pelo qual fixou uma residência na cidade -, Placidi viaja nesta semana para Turim levando consigo um jogador de Rolândia (não revelou o nome) que, segundo o seu discurso exagerado, pode virar "um novo Messi ou Maradona" - se tiver sucesso na Juventus. "Ele não é canhoto, como os outros, mas é um garoto excepcional. É muito habilidoso e forte, tem 1m79 e 76 kg", descreveu.

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