Hockenheim - Para Antonio Pizzonia, 23 anos, não há dúvida: ''A chance de guiar para uma equipe de ponta da Fórmula 1 veio no momento certo.'' O amazonense estréia hoje na Williams, nos primeiros treinos livres do GP da Alemanha.
''Aprendi muito com o que aconteceu comigo ano passado, dentro e fora das pistas, diria que mais fora delas.'' A Jaguar o dispensou depois do GP da Inglaterra. ''Fiz muitos quilômetros nos testes com o carro da Williams e, diferentemente da Jaguar, todos na Williams confiam em mim, sinto-me preparado para esse desafio.''
O Brasil terá quatro representantes na prova, a 12 da temporada, com a presença de Pizzonia na Williams. Os outros são Rubens Barrichello, pela Ferrari; Cristiano da Matta, Toyota, de carro novo em Hockenheim; e Felipe Massa, Sauber. Como competem 20 pilotos hoje na Fórmula 1, o País tem, sozinho, 20% do grid. E dois têm chances de lutar pela vitória, Rubinho e Pizzonia.
O amazonense comentou que os testes realizados em Jerez de la Frontera, semana passada, revelaram que poderá haver uma surpresa em Hockenheim: ''Testamos novos pneus para a Michelin que mostraram-se muito superiores aos que vínhamos utilizando.'' E projetou: ''Será o nosso ponto forte aqui.''
Faz muito calor no sul da Alemanha. Ontem a temperatura no horário que será dada a largada domingo, às 14 horas local, 9 horas de Brasília, era de 34 graus.
Mas quem concentrou a maior parte das atenções no autódromo, ontem, foi o ídolo local, Michael Schumacher, companheiro de Rubinho na Ferrari. E de cara teve de explicar um dado estatístico impressionante: a última vez que ele abandonou uma corrida por causa de problemas com o equipamento foi no GP da Alemanha, mas de 2001.
''A Ferrari é mesmo uma organização extraordinária'', falou rindo. Em seguida questionaram o porquê de ele ter vencido apenas duas vezes em Hockenheim. ''Você poderia me perguntar as razões de eu ganhar tantas vezes em outros circuitos, como Spa-Francorchamps (seis). Não existe um motivo em especial, apenas coincidência.''
Sobre a corrida, Schumacher repetiu o discurso de outras vezes: ''Nossos adversários estão chegando cada vez mais perto.'' Ninguém coloca em xeque uma nova vitória do alemão, que seria a 11 em 12 etapas.
''Penso que por causa das características desta pista a BAR, Williams e agora a McLaren poderão tornar as coisas difíceis para a gente.''
Os pilotos da Ferrari estão fora da agitação do mercado desses profissionais. Ontem a transferência de Jarno Trulli da Renault para a Toyota era tida como certa, assim como a de Giancarlo Fisichella da Sauber para o lugar de Trulli, ainda que seu empresário, Enrico Zanarini, acredite ser possível a opção Williams. Já Eddie Jordan confirmou que pediu dinheiro a Frank Williams para ceder Nick Heidfeld, que substituiria Ralf Schumacher. O negócio não deu certo.
''Eu tinha de cobrir os meus custos com um novo piloto e não havia garantia de que Nick correria em 2005. A Williams queria atender apenas o seu interesse de cobrir a ausência de Ralf.'' Heidfeld não falou nada, mas sua expressão de silêncio era reveladora da reprovação a Eddie Jordan.

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