São Paulo, 24 (AE) - Quem vai a Interlagos hoje e tem em conta que o GP do Brasil será disputado nos dias 24, 25 e 26 de março, leva um susto: apenas 20% do asfalto foram recapeados e a implantação das lajes na extensão da área de paddock está no começo dos trabalhos. O prefeito Celso Pita garantiu hoje, no entanto, depois de vistoriar o autódromo, que todas as obras serão entregues antes do prazo estabelecido pele delegado de segurança da Fórmula 1, Charlie Whiting. "Tudo estará pronto antes do dia 14, conforme solicitação da FIA (Federação Internacional de Automobilismo)", afirmou Pita.
Ao menos pelo que parece, o circuito de Interlagos terá pela primeira vez na sua história de 60 anos um asfalto uniforme
sem as tradicionais depressões e elevações que sempre o caracterizaram. "A tolerância a cada 10 metros é de apenas 3 milímetros", explicou o prefeito, que foi ver de perto os trabalhos orientados pela empresa inglesa McArdle, a responsável também pelo asfalto das pistas de Silverstone, na Inglaterra, e de Sepang, na Malásia. Wayne Wilson, da McArdle, está em São Paulo há cerca de um mês coordenando o emprego de uma tecnologia denominada Stone Mastic Asphalt.
Ela consiste, em termos gerais, na adição de um polímero (plástico) e fibras de celulose na composição da massa asfáltica. Essa polimerização permite ligações químicas mais fortes do produto final, o que se traduz por um asfalto mais resistente e com maior poder de drenagem, tornando menos perigosa a condução na chuva, em razão do spray de água ser menor. O tempo de cura, segundo o técnico, não é problema, porque diferentemente do asfalto comum essa tecnologia não exige da manta mais do que quatro ou cinco dias de repouso. Custo da operação para os 4.292 metros do traçado: R$ 4 milhões e 950 mil.
Outra obra importante que está sendo realizada é a ampliação da área de paddock em 960 metros quadrados, solução inspirada no que se fez no autódromo de Budapeste. Quase não havia área de circulação no espaço compreendido entre os boxes 6 e 23. Uma grande laje está sendo implantada no local, sustentada por colunas metálicas, o que facilitará o trabalho de todos os profissionais da F-1. Sob essa estrutura está prevista a construção, no futuro, dos reservados para as equipes, grande falha de Interlagos.
Hoje os pilotos reúnem-se com seus engenheiros em meio cozinheiros e ajudantes gerais, dentro de espaços reduzidos limitados por divisórias plásticas montadas dentro dos boxes. Essa situação desconfortável é única nas 17 pistas do calendário. A estimativa de custo para essa fase inicial do projeto do novo paddock é de R$ 6 milhões e 300 mil.
A atualização do circuito compreende ainda a revisão das entrada e saída dos boxes, solicitada por Charlie Whiting na sua última vistoria, dia 27, bem como uma série de outras pequenas modificações. O ex-piloto e ex-presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Piero Gancia, calculou que com as melhorias da pista os carros deverão baixar em pelo menos 1,5 segundo o tempo da última pole position: 1min16s568, de Mika Hakkinen, com McLaren, aproximando-se bastante do recorde absoluto de Interlagos, 1min15s703, pole do GP de 1992, de Nigel Mansell, com Williams.

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