Desta vez o feitiço virou contra o feiticeiro. Mika Hakkinen, da McLaren, venceu ontem o GP de Luxemburgo utilizando a mesma tática que sempre havia dado vantagem à Ferrari: a eficiência da estratégia na parada de box. E, em Nurburgring, foi só uma parada. Michael Schumacher parou na 24ª volta, mas, em seguida, enfrentou vários retardatários e perdeu preciosos segundos. Hakkinen parou na 28ª, fez um tempo de reabastecimento praticamente idêntico ao do alemão, mas o suficiente para voltar imediatamente à frente de Schumacher, e seguir assim até o final.
Em terceiro lugar chegou o escocês David Coulthard, da McLaren. Em quarto, o irlandês Eddie Irvine, da Ferrari. Em quinto, o alemão Heinz-Harald Frentzen, da Williams. E, em sexto, o italiano Giancarlo Fisichella, da Benetton. Entre os brasileiros, Rubens Barrichello chegou em 11º. Pedro Paulo Diniz e Ricardo Rosset abandonaram.
Com a vitória, Hakkinen soma 90 pontos, contra 86 de Schumacher. Independente do que fizer Schumacher em Suzuka, Hakkinen vence o Mundial se classificar-se em segundo. Os seis pontos do segundo lugar lhe dariam 96 pontos. É o máximo que Schumacher pode atingir se ganhar a corrida no Japão. Nesse caso os dois empatariam novamente, 96 a 96, e de novo o número de segundas colocações definiria o campeonato. Hakkinen e Schumacher teriam o mesmo número de vitórias, sete, mas o finlandês, um segundo lugar a mais (3 a 2). Por esse motivo ele seria o campeão.
Em resumo: Schumacher só fica com o título se vencer no Japão e Hakkinen terminar da terceira colocação para trás. O alemão conquista o Mundial também se chegar em segundo e Hakkinen se classificar em sexto ou não marcar pontos. Qualquer outra colocação de Schumacher que não seja primeiro ou segundo garante o campeonato para Hakkinen.
O momento psicológico era favorável para o alemão, depois da sua reação no Mundial, e a Ferrari havia estabelecido os dois primeiros lugares no grid. Mais: a maior parte do 140 mil torcedores apoiava Schumacher, e até a previsão de chuva colaborava para que a Ferrari deixasse a Alemanha quase campeã. Pois ocorreu exatamente o contrário. Hakkinen pilotou como nunca, a McLaren acertou o carro, a chuva não veio e milhares de alemães dobraram suas bandeiras ao ver Schumacher se distanciar do sonho de ser campeão com a Ferrari, ao menos este ano. ‘‘Nós não perdemos nada ainda’’, afirmou o piloto, acreditando numa reviravolta em Suzuka.
‘‘Confesso que me sinto bem mais confortável agora que há algumas horas’’, disse o finlandês depois de vencer o GP de Luxemburgo. A presença de Eddie Irvine, no começo da prova, na sua frente, enquanto Schumacher se distanciava dele em primeiro, não o precupava. ‘‘Eu tive de aceitar essa situação, o que eu tinha de fazer era procurar ser rápido o suficiente para ultrapassar Irvine’’, o que se deu na 14ª volta. Mas na 10ª passagem Hakkinen já acenava para Irvine, comunicando aos comissários que o irlandês o estava segurando. ‘‘Eu acenei para ele? Não, não, foi para uns amigos na arquibancada’’, brincou o finlandês.
Michael Schumacher estava profundamente decepcionado depois da corrida. Chegou a ser grosso com um jornalista que lhe perguntou o que sua equipe fez na suspensão do carro, ainda no grid. ‘‘Você precisa de óculos novos, mexemos na asa dianteira, e a asa fica londe da suspensão.’’ Suas respostas foram quase sempre monossilábicas. ‘‘Nosso acerto de chassi estava errado, meus pneus acabavam antes dos de Hakkinen e meu carro passou a sair demais com a traseira.’’
Ficou bem mais difícil para Schumacher cumprir a promessa de ser campeão do mundo com a Ferrari nesta temporada. Agora, para conquistar o título, não depende apenas de si próprio. Além de necessitar vencer o GP do Japão, ou até mesmo chegar em segundo, Schumacher depende também do resultado de Mika Hakkinen.

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