Pista de 'Primeiro Mundo' espera por competições
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de fevereiro de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Clima agradável, população jovem, centro de uma região carente em instalações esportivas e acesso fácil às pesquisas e aos projetos de um corpo técnico especializado. Todos os fatores que favorecem a prática de atletismo de alto nível em Londrina tornaram a cidade um celeiro pouco explorado de atletas, mesmo com o início do funcionamento de uma das quatro pistas com padrão internacional do Estado.
Inaugurada em maio, a pista de atletismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ainda não abrigou nenhuma competição adulta oficial. A falta de apoio do Município também não está permitindo que se leve adiante um projeto de massificação do esporte na cidade, formulado pelo técnico da equipe londrinense, José Eugênio Zaninelli.
A obra foi construída com apoio do extinto Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp) e teve execução controvertida. Composta de tartan, material sintético usado nas pistas dos três últimos Jogos Olímpicos, a estrutura demorou mais de dois anos para ser instalada.
Por pouco, o revestimento e a cola importados da Itália não se estragaram. O atraso foi provocado por constantes paralisações nas obras de preparação da superfície, cuja responsabilidade era do Município. O valor total da obra teria sido de R$ 600 mil, conforme informações extra-oficiais levantadas pela Folha.
Apesar de atletas, técnicos e professores dos cursos de Ciência do Esporte e Educação Física avaliarem como muito positivo o impacto da modernização da pista até a reforma, o material usado era um misto de saibro e carvão, bem mais lento ainda não há perspectivas da Universidade abrigar meetings com atletas de ponta do País. As dificuldades se agravaram com a interrupção nos repasses provenientes da Lei de Incentivo ao Esporte Amador, o que praticamente impossibilita vôos mais altos no atletismo londrinense. Os contemplados de 2001 só sairão em março, após seus projetos passarem por uma análise de viabilidade e retorno.
Para isso, faltaria concluir todo o pólo avançado projetado pelo Indesp. Já estão planejadas a ampliação das arquibancadas, vestiários, almoxarifado para abrigar equipamentos de apoio e a instalação de um suporte técnico para oficialização dos tempos das provas. Até mesmo competições adultas de nível estadual ainda continuam inéditas no câmpus.
Além das aulas práticas dos universitários, a única atividade na pista são os treinos da equipe municipal juvenil de atletismo um grupo de 80 garotos entre 12 e 17 anos. A equipe adulta só se reúne pouco antes das competições.
A manutenção das categorias de base também passa por problemas como a falta de verbas para o vale-transporte dos garotos (o câmpus está a seis quilômetros do centro). Zaninelli, que também acumula o cargo de coordenador de atletismo da fundação, está acertando uma parceria com a AABB, que forneceria alojamento, alimentação e vale-transporte para toda a equipe. Zaninelli também tenta conseguir recursos para trazer o Campeonato Brasileiro de Menores, um evento gigante, com 600 participantes.
As grandes competições acabam sendo um incentivo para a massificação do esporte. Um meeting com estrelas nacionais seria o ideal, mas para este ano é difícil. Vamos lutar muito para trazer este campeonato de menores e dar evidência ao atletismo, afirmou o presidente da fundação, Marcelo Paulino, que tentará trazer estrelas da modalidade para a competição, como Joaquim Cruz, medalha de ouro nos 800 metros rasos dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.
Para tentar envolver os estudantes da universidade nos esforços de fortalecer o atletismo, o diretor do Departamento de Desportos Individuais e Coletivos da UEL, João Borges, está abrindo 40 vagas para estágio na modalidade. Os estudantes funcionariam como monitores para a descoberta de novos talentos.


