Clima agradável, população jovem, centro de uma região carente em instalações esportivas e acesso fácil às pesquisas e aos projetos de um corpo técnico especializado. Todos os fatores que favorecem a prática de atletismo de alto nível em Londrina tornaram a cidade um celeiro pouco explorado de atletas, mesmo com o início do funcionamento de uma das quatro pistas com padrão internacional do Estado.
Inaugurada em maio, a pista de atletismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ainda não abrigou nenhuma competição adulta oficial. A falta de apoio do Município também não está permitindo que se leve adiante um projeto de massificação do esporte na cidade, formulado pelo técnico da equipe londrinense, José Eugênio Zaninelli.
A obra foi construída com apoio do extinto Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp) e teve execução controvertida. Composta de tartan, material sintético usado nas pistas dos três últimos Jogos Olímpicos, a estrutura demorou mais de dois anos para ser instalada.
Por pouco, o revestimento e a cola importados da Itália não se estragaram. O atraso foi provocado por constantes paralisações nas obras de preparação da superfície, cuja responsabilidade era do Município. O valor total da obra teria sido de R$ 600 mil, conforme informações extra-oficiais levantadas pela Folha.
Apesar de atletas, técnicos e professores dos cursos de Ciência do Esporte e Educação Física avaliarem como muito positivo o impacto da modernização da pista – até a reforma, o material usado era um misto de saibro e carvão, bem mais lento – ainda não há perspectivas da Universidade abrigar meetings com atletas de ponta do País. As dificuldades se agravaram com a interrupção nos repasses provenientes da Lei de Incentivo ao Esporte Amador, o que praticamente impossibilita vôos mais altos no atletismo londrinense. Os contemplados de 2001 só sairão em março, após seus projetos passarem por uma análise de viabilidade e retorno.
Para isso, faltaria concluir todo o pólo avançado projetado pelo Indesp. Já estão planejadas a ampliação das arquibancadas, vestiários, almoxarifado para abrigar equipamentos de apoio e a instalação de um suporte técnico para oficialização dos tempos das provas. Até mesmo competições adultas de nível estadual ainda continuam inéditas no câmpus.
Além das aulas práticas dos universitários, a única atividade na pista são os treinos da equipe municipal juvenil de atletismo – um grupo de 80 garotos entre 12 e 17 anos. A equipe adulta só se reúne pouco antes das competições.
A manutenção das categorias de base também passa por problemas como a falta de verbas para o vale-transporte dos garotos (o câmpus está a seis quilômetros do centro). Zaninelli, que também acumula o cargo de coordenador de atletismo da fundação, está acertando uma parceria com a AABB, que forneceria alojamento, alimentação e vale-transporte para toda a equipe. Zaninelli também tenta conseguir recursos para trazer o Campeonato Brasileiro de Menores, um evento gigante, com 600 participantes.
‘‘As grandes competições acabam sendo um incentivo para a massificação do esporte. Um meeting com estrelas nacionais seria o ideal, mas para este ano é difícil. Vamos lutar muito para trazer este campeonato de menores e dar evidência ao atletismo’’, afirmou o presidente da fundação, Marcelo Paulino, que tentará trazer estrelas da modalidade para a competição, como Joaquim Cruz, medalha de ouro nos 800 metros rasos dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.
Para tentar envolver os estudantes da universidade nos esforços de fortalecer o atletismo, o diretor do Departamento de Desportos Individuais e Coletivos da UEL, João Borges, está abrindo 40 vagas para estágio na modalidade. Os estudantes funcionariam como monitores para a descoberta de novos talentos.

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