A Fundação de Esportes quer usar o Campeonato Brasileiro Juvenil de Atletismo, que começa sábado na Universidade Estadual de Londrina, para corrigir uma distorção. Segundo o diretor técnico Ariobaldo Frisselli, o Dedé, a fundação irá aproveitar a visita de parte da cúpula da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) para convencê-la a incluir Londrina no mapa das principais competições do País, colocando finalmente na pista do campus destaques nacionais na modalidade.
O lobby deve começar a ser feito junto ao presidente da CBAt, Roberto Gesta de Mello, que já deu declarações simpáticas a estrutura da UEL. Recentemente, Mello chegou a afirmar que trata-se de uma das ''melhores pistas do Brasil''.
Inaugurada em maio de 2000, a pista nunca recebeu candidatos a heróis olímpicos. Segundo Dedé, os motivos da pista ainda não ter sido ''inaugurada'' pelos atletas de ponta são ''falta de recursos e de influência política''. Para mudar isso, a fundação promete ser ambiciosa. ''Vamos tentar mostrar, inclusive junto aos patrocinadores, que temos condições de abrigar um Troféu Brasil, por exemplo'', revela o diretor técnico.
Se o lobby for bem sucedido, a mudança será radical. Mesmo englobando torneios juvenis, a pista é usada em média apenas três vezes ao ano para provas oficiais. O subaproveitamento é admitido por todos, até mesmo pela fundação. ''Investimento foi muito alto para tão poucas competições'', lamenta o diretor do Centro de Educação Física e Desportos da UEL, Elói Zamberlan.
Depois do final de semana, a pista voltará a abrigar outra prova apenas em agosto ou setembro, no Troféu UEL/Coroados. Enquanto isso, seguirá sua rotina de ser frequentada por privilegiados iniciantes ou por estudantes que pouco se importam com suas marcas. O local é usado por 200 universitários dos cursos de Educação Física e Ciências do Esporte e é cedido para treinamentos de cerca de 50 atletas de alto nível da cidade. Além disso, em torno de 600 crianças usam a pista, alternadamente, três vezes por semana, no projeto de iniciação junto a escolas da rede pública.
Uma das habitués do local é a fundista Cleuza Maria Irineu, 37 anos, a principal atleta da história da cidade. Mulher articulada e sem papas na língua, ela lembra que a existência da pista pode não significar nada no futuro da modalidade em Londrina, mas ressalta o prazer de treinar em uma pista ''que nada deixa a desejar às pistas européias, japonesas ou norte-americanas''.
''Temos que ter mais festivais infantis para detectar talentos e depois burilá-los. A pista, sozinha, não vai fazer milagre'', alfineta. Com a autoridade de quem já representou com brilho o município em várias provas mundo a fora, Cleuza quer que a fundação invista na contratação de técnicos para que em breve Londrina não precise ''importar'' atletas para ter uma equipe competitiva nos Jogos Abertos e nos Jogos da Juventude.

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