"Piscina" atrasa chegada a Funchal
"Piscina" atrasa chegada a Funchal12/Mar, 15:01 Por Julio Cruz Neto Lisboa, 12 (AE) - Faltou vento para os veleiros que participam da Regata do Descobrimento chegarem a Funchal, onde termina a primeira perna. Hoje, muitos deles ficaram horas parados devido a uma calmaria, que fez do mar uma 'piscina' já nas proximidades da Ilha da Madeira. E alguns devem atracar só amanhã. "Não esperávamos tanta calmaria", disse, via rádio, Luiz Alberto Ballarin, comandante do Corumii, num tom um tanto quanto entediado: "O jeito é esperar, ficar lendo alguma coisa, aquelas coisas de sempre..." Hoje pela manhã, o Corumii estava a 144 quilômetros de Funchal, mais próximo que o barco português Haluan, a 177 quilômetros. Mas atrás dos também portugueses Mariposa (97) e Marujo (120), além do brasileiro Viva (121). Enquanto isso, o fita azul Bahia já estava atracado em Funchal havia mais de doze horas. E apesar da calmaria dos instantes finais, o tático Alex Welter ainda tinha bem nítidos na memória os momentos tensos da primeira noite, quando o vento soprou com vontade (mais de 60 km/h). "Tivemos que rizar (amarrar) as velas, foi bem emocionante. Deu para sentir o impacto do mar do Atlântico Norte e ver que ele merece respeito", disse Alex pouco após a chegada. Segundo ele, a velocidade beirou os 40 km/h: "O barco chegou a embicar bastante. Deu para sentir a adrenalina." Apesar da experiência (ele tem 45 anos e foi medalha de ouro da classe Tornado na Olimpíada de Moscou/80), Alex admite que deu uma certa angústia à noite, quando todos tiveram de ficar amarrados: "Deu um impacto principalmente por causa da água fria espirrando." E o pior é que o Bahia não tem água quente para os tripulantes tomarem banho: "É muito espartano o barco." Parceiro de Alex Welter no título de Moscou, Lars Grael está revivendo a experiência campeã agora, como timoneiro do Bahia. Decepcionado com o número de participantes "aquém do esperado" (são 21 os barcos inscritos na regata), Lars achou emocionante a largada em frente à Torre de Belém, em Lisboa, mesmo local de onde partiu em 1500 a esquadra de Pedro álvares Cabral. Lars acha que a equipe está bem entrosada - "quase todos já se conheciam" - e que não deve ter adversários, pelo menos até Salvador: "Lá, outros barcos de ponta do Brasil entram na regata, como o catamarã Adrenalina Pura." Diretor de Programas Especiais (leia-se projetos sociais) do Indesp (Instituto Para o Desenvolvimento do Desporto do Governo Federal) e coordenador da equipe brasileira de vela olímpica, Lars embarcou hoje à tarde para Brasília. E volta a integrar a equipe na terceira perna, entre Cabo Verde e Salvador, no final do mês: "Tenho muita coisa para despachar. O volume de trabalho é grande." Embora tenha sido o fita azul, o Bahia foi na verdade o segundo barco a chegar a Funchal. O primeiro foi o Hozhoni, que não disputa a regata e percorre a rota do descobrimento apenas como uma viagem. Por isso, usou o motor para vencer a calmaria. O comandante Ari Paulo Jaensch conta que o forte vento do início trouxe algumas complicações. "Como a tripulação tem pouca experiência, deixamos passar muita água por cima do convés", diz ele. Entre os tripulantes, estava o alpinista Waldemar Niclevicz, que não vai disputar o resto da regata. O comandante lembra também que a maior parte da tripulação 'mareou': "70% teve enjôo, inclusive eu." Bem atrás, o veleiro Arribassaia, inscrito na viagem, velejava tranquilamente, com previsão de chegar apenas na madrugada de domingo para segunda. E sem peixes a bordo: "Não conseguimos nem pescar. Estamos arrastando a linha, mas por enquanto só molhamos a isca."





