Nélson Piquet dirigiu como Nélson Piquet para vencer as Duas Horas de Gran Turismo de Brasília. Se em Curitiba a vitória lhe foi entregue de mão beijada pelo parceiro Johnny Ceccoto, desta vez Piquet teve de acelerar fundo a McLaren GTR para manter uma vantagem apertada na liderança, depois que Ceccoto teve uma parada imprevista nos boxes para trocar o pneu dianteiro esquerdo.
‘‘Pensei que eu ia passear de novo que nem uma viúva velha’’, comentou Piquet, que esperava que Ceccoto lhe entregasse o carro, depois da primeira hora de prova, com os mesmos 38 segundos de vantagem que teve em Curitiba. De fato, estava parecendo que o roteiro da prova do Paraná se repetiria nas primeiras 14 voltas: o venezuelano largou na frente e abriu 10 segundos, mas uma porca da roda soltou-se e dificultou a corrida da equipe Bigazzi. Ceccoto caiu para 10º lugar, foi capaz de descontar 1min01s em 17 voltas, ganhar nove posições e entregar o carro a Piquet na liderança, mas com apenas 2s8 de vantagem sobre o francês Fabien Giroix.
‘‘A partir daí, tive de dirigir de verdade’’, contou o tricampeão. ‘‘Foi bom para verem que não estou tão velho assim.’’ O próprio Piquet se confessou nervoso no momento em que teve de assumir o volante da McLaren com Giroix colado na sua traseira. ‘‘Pensei: agora esse francês vai querer me engolir’’, contou. ‘‘Mas saí dos boxes decidido: tenho duas mãos, dois pés, dois olhos que nem ele, e já ganhei muito mais coisa nas pistas, então esse cara não vai me passar de jeito nenhum.’’
Piquet fez três voltas em ritmo rapidíssimo - uma delas em 1min55s9, apenas três décimos mais lenta que a melhor volta da corrida, de Ceccoto, 1min55s618 - e despachou Giroix. No final, a diferença foi de 20 segundos, aumentada nas últimas voltas porque o francês teve de poupar combustível. Em terceiro lugar chegou a Ferrari do italiano Max Angelelli e do brasileiro Antônio Hermann, após fantástica recuperação. A dupla largou em último lugar depois do acidente nos treinos de sexta-feira, que obrigou os mecânicos a trabalhar 26 horas seguidas para consertar o carro.
Piquet ganhou o título do mini-torneio brasileiro de duas etapas da Gran Turismo. O vice-campeonato ficou com o brasileiro Maurizio Sala e o francês Giroix. Piquet voltou ao alto do pódio em Brasília 20 anos depois de sua última vitória na cidade, na Super Vê, em 1976, e agitou a bandeira nacional para 25 mil pessoas em festa. Foi o final perfeito para o evento que ele próprio organizou.
‘‘Estava com medo da chuva, com medo da falta de público, mas no final tudo ajudou’’, disse. ‘‘Até o defeito na roda, que me obrigou a correr para valer.’’ O tricampeão afirmou que em Curitiba já poderia ter mostrado os velhos dotes de velocidade, mas não arriscou. ‘‘Freei mais longe, troquei de marcha mais devagar, porque não precisava ser mais rápido’’, disse. ‘‘O jogo é chegar na frente, não com uma volta na frente.’’

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