PIONEIRISMO E SAÚDE Projeto com cadeirantes busca visibilidade
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domingo, 18 de fevereiro de 2007
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Um grupo de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do Setor de Fisioterapia do Hospital Universitário (HU) está empenhado em trazer para Londrina uma grande competição paradesportiva nacional este ano. A equipe desenvolve desde o ano passado um projeto com paraplégicos em Londrina nas modalidades de basquete, atletismo, natação, tênis, tênis de mesa e halterofilismo. Todos os treinamentos acontecem no Centro de Educação Física e Desporto (CEFD) da UEL.
A competição que a cidade pretende pode ser uma das etapas do Circuito Paraolímpico da Caixa, o que voltaria as atenções de toda a comunidade para o trabalho que vem sendo feito na UEL com os atletas cadeirantes (que não têm os movimentos das pernas). Os primeiros contatos com o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) já foram feitos neste sentido pela coordenadora do projeto, a professora do curso de Ciências do Esporte, Rosângela Marques Busto.
''Pedimos que seja trazido para cá um evento do calendário nacional. Assim chamaríamos mais a atenção do público para o potencial destas pessoas com lesão medular (paraplégicas) para a prática de esportes'', comentou Rosângela. A iniciativa tem o aval do reitor da UEL, Wilmar Marçal, que garantiu total apoio da instituição ao evento.
O trabalho com os paraolímpicos começou a ser desenvolvido em março de 2006 e hoje envolve 16 atletas acima de 18 anos e também estudantes dos cursos de Fisioterapia e Ciências do Esporte, que atuam como estagiários. O projeto, denominado ''O Esporte na Sa© úde e na Qualidade de Vida do Indivíduo com Lesão Medular'', surgiu a partir da iniciativa solitária do administrador de empresas Mário Diniz de Oliveira, que resolveu começar a treinar sozinho em uma cadeira de corrida.
Após contato com a professora Rosângela Busto, que é docente das disciplinas de Esporte Adaptado e Esporte Paraolímpico na UEL, Oliveira foi encaminhado para a equipe de atletismo de Londrina e a partir daí a idéia ganhou força.
O professor responsável pelo Setor de Fisioterapia no HU, Fausto Levola, já via a necessidade da prática de esportes por parte dos demais cadeirantes do hospital e decidiu encaminhá-los ao projeto. ''É um trabalho integrado que visa proporcionar a essas pessoas mais saúde e qualidade de vida. A atividade física é vital para evitar o aparecimento de sequelas secundárias no candeirante, o que pode acontecer com o sedentarismo'', explica Rosângela.
Além de prevenir eventuais problemas de saúde, como infecções urinárias - devido ao fato de o deficiente permanecer muito tempo sentado - o esporte, segundo a coordenadora do projeto, aumenta inclusive a resistência imunológica do deficiente físico. Todos eles passarão pelas seis modalidades oferecidas e poderão escolher para treinamento especializado aquela em que melhor se adaptarem. O projeto é pioneiro pelo fato de não envolver paraatletas já iniciados, mas lesados medulares em busca de uma melhor saúde. ''O crescimento deles no esporte é apenas uma consequência'', conclui Rosângela.


