Pinheirão vai ter pouca programação
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
Ed Carlos Rocha Curitiba 
Kraw PenasO que fazer?O Pinheirão
consumiu
cerca de
R$ 15 milhões
desde seu
início e
ainda não
foi concluído.
A FPF deve
cerca de
R$ 14 milhões.
Os times
de Curitiba
estão estão
reformando
seus estádios
e não deverão
utilizar o
da FPFProjetado para ser um dos maiores e mais modernos estádios de futebol do mundo, o Pinheirão, que pertence à Federação Paranaense de Futebol, vai aos poucos ficando sem função para os clubes de Curitiba. O Atlético, sem campo, é um dos que mais utilizam o estádio, mas está construindo uma nova Baixada para mandar seus jogos. O Paraná, que recorre ao Pinheirão para partidas decisivas em função de seus estádios terem capacidade limitada a menos de 20 mil pessoas, tem projeto para erguer uma nova Vila Capanema. O Coritiba não tem precisado do Pinheirão porque tem o Couto Pereira.
No primeiro semestre, o Atlético irá fazer do estádio da Federação a sua casa para mandar jogos pelo Campeonato Paranaense. Mas, a partir de agosto, quando estará pronta a nova Baixada, com capacidade inicial para 32 mil pessoas, o rubro-negro só precisará do Pinheirão se chegar às finais do Campeonato Brasileiro, por exemplo, e a Confederação Brasileira de Futebol obrigar os clubes a jogarem em estádios com capacidade superior a 40 mil lugares, como aconteceu em 97.
Com o Paraná Clube, a situação é parecida. O clube está prestes a chegar a um acordo com a Rede Ferroviária Federal para ter a posse oficial do terreno onde hoje está a Vila Capanema e com isso começar a construção de um estádio para 40 mil lugares, que deverá ficar pronto um ano após o início das obras. Até lá, nas competições de 98, os jogos menos importantes serão mandados na atual Vila Capanema, que tem capacidade para 18 mil lugares. Com isso, o Paraná só usará o Pinheirão em jogos de muita importância, como os clássicos regionais.
A iniciativa dos clubes em ter seus próprios estádios grandes e modernos poderá prejudicar ainda mais a situação da Federação Paranaense de Futebol e do seu estádio. É que, atolada em dívidas, a Federação conta com os recursos oriundos dos jogos no Pinheirão - os clubes pagam como taxa 8% das rendas - para se manter.
Segundo cálculos do diretor de Patrimônio da entidade, Reginaldo Cordeiro, os valores arrecadados com essas taxas chegam a representar 50% de toda a arrecadação da Federação. Para ele, para diminuir o impacto da queda na arrecadação, a FPF terá que aproveitar melhor o Pinheirão. Tem que aproveitar com shows artísticos, lojas comerciais e também com jogos finais dos times amadores, que abiririam a possibilidade de novas placas de publicidade.
História de problemasDesde que o Pinheirão começou a ser projetado, em 1956, quando Airton Cornelsen, ex-jogador do Atlético Paranaense, apresentou uma planta, o estádio vem ficando famoso mais pelos problemas que apresenta do que pela serventia ao futebol. Exemplo disso, foram os três meses - de agosto a outubro de 97 - que ficou interditado pela Justiça por problemas na estrutura da cobertura metálica.
Do projeto de 1956, o estádio só começou a ser erguido no início dos anos 70, depois que o então presidente da FPF, José Milani, retomou a idéia de Cornelsen. O projeto inicial previa a capacidade de 180 mil lugares. Já no início das obras, os primeiros contratempos começaram a aparecer. Por falta de verbas, entre 1972 e 1974, as obras caminharam bem devagar e em 1975 foram paralisadas, sendo retomadas em 1985, quando assumiu Onaireves Moura, ainda hoje o presidente, embora esteja afastado pela Justiça.
Três meses depois de assumir, Moura inaugurava o Pinheirão com o jogo entre as seleções do Paraná e de Santa Catarina. No ano seguinte, foi inaugurado o sistema de iluminação com um jogo entre o Atlético e o Cruzeiro (MG), válido pelo Campeonato Brasileiro. De lá para cá, as obras vêm se arrastando.
Até hoje, segundo Reginaldo Cordeiro, já foram investidos no estádio, que tem capacidade para 55 mil expectadores, cerca de R$ 15 milhões e seriam necessários mais R$ 15 milhões para concluir o atual projeto, que prevê um segundo anel de arquibancadas, elevando a capacidade para 127 mil lugares. Mas pela situação da Federação, não há a mínima previsão de quando novas obras serão feitas, explicou.


