Pilotos são contra em se encontrar culpados
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
A opinião de pilotos, donos de equipe e especialistas em Fórmula 1 é quase a mesma: não faz o menor sentido tentar encontrar culpados pela morte de Ayrton Senna. A primeira cláusula do contrato de um piloto deixa bem claro que a equipe não assume nenhuma responsabilidade em caso de acidente, explicou ontem Wilson Fittipaldi Júnior, piloto de Stock Car e ex-proprietário de escuderia de F-1, além administrar a carreira do filho, Christian Fittipaldi, na Fórmula Indy.
Para Rubens Barrichello, por maior que fosse sua idolatria por Senna, não é justo colocar Frank Williams no banco dos réus. O piloto conta que se toda vez que ocorrer um acidente na F-1 existir um processo não haverá mais campeonatos. Eu tenho de acreditar que eles estão fazendo o máximo pela minha segurança, diz.
Para Pedro Paulo Diniz, correr de automóvel é perigoso e por esse motivo os pilotos sabem o risco que correm. Acho que se o Senna tivesse apenas se machucado no acidente ele próprio não concordaria com que Frank Williams e os projetistas do carro fossem levados a julgamento, diz. E na sua visão, o mais provável para explicar a fatalidade de Ímola nem foi a quebra da coluna de direção, conforme apurou a perícia. Acho difícil, penso ser mais provável um problema com os pneus, como um furo por exemplo.
Para o jornalista mais antigo da F-1, praticamente testemunha dos 47 anos de história da categoria, o francês Gerard Crombac, não há como culpar alguém em razão de não se ter certeza das causas do acidente. A perícia apurou quebra da coluna de direção, a telemetria da Williams, no entanto, prova que o sistema funcionava até o impacto contra o muro, argumenta. Se alguém poderia ser responsabilizado por alguma coisa seria então a direção da pista. Senna na minha visão perdeu o controle do carro ao passar sobre uma das muita ondulações perigosas do asfalto.
TestesA surpreendente Benetton-Renault deu o troco na Williams-Renault. Ontem, no Estoril, em Portugal, seus dois pilotos, Gerhard Berger e Jean Alesi, foram mais rápidos do que a dupla da Williams, Jacques Villeneuve e Heinz-Harald Frentzen. Berger baixou a marca de Villeneuve no sábado, ao registrar 1min19s47 (30 voltas), enquanto Alesi fez 1min19s50 (74).


