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Esporte

m de leitura Atualizado em 24/02/2022, 18:15

Pilotos são contra corrida na Rússia, mas F1 diz que monitora situação

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

LUCIANO TRINDADE
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pilotos da F1, como o alemão Sebastian Vettel e o holandês e atual campeão Max Verstappen, manifestaram nesta quinta-feira (24) o desejo de não disputar o GP da Rússia nesta temporada, agendado para 25 de setembro. Eles são contra a realização da prova após o governo russo decidir atacar a Ucrânia.

Em um comunicado oficial, a categoria, no entanto, não descartou a realização da corrida, mas disse que monitora a situação. "Nós observamos de perto o desenvolvimento dos acontecimentos e, no momento, não há mais comentários sobre a corrida."

Tetracampeão mundial, Vettel se disse "chocado" com a invasão russa e foi enfático ao dizer que não quer participar da etapa.

"É horrível ver o que está acontecendo [...] Falo por mim: eu não devo ir e eu não irei. É errado correr lá. Pessoas estão sendo mortas por razões estúpidas e uma liderança muito estranha e raivosa", disse o alemão, se referindo ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

"Isso é algo sobre o qual ainda vamos conversar, mas a GPDA [Associação de Pilotos] ainda não se reuniu. Pessoalmente, estou chocado e triste com o que está acontecendo. Nós vamos ver o que acontece daqui para frente. Já tomei minha decisão", acrescentou o piloto da Aston Martin.

O atual campeão, Max Verstappen, que não costuma se envolver em questões políticas, concordou com o posicionamento de Vettel.

"Se um país está em guerra, não seria certo correr lá", afirmou o holandês. "Mas não é só o que eu acho. O paddock todo tem de decidir o que faremos em seguida", continuou o piloto da Red Bull.

O bicampeão espanhol Fernando Alonso, da Alpine, foi outro que manifestou incômodo com o GP em solo russo.

"Temos nossa opinião e é a mesma de todos, só que não temos o poder de decidir. Mas com certeza podemos tomar nossas próprias decisões", afirmou.

Já o chefe da equipe que pertence à marca de energéticos austríaca, Christian Horner, disse que não vê "clima" para a F1 ir à Rússia. "É um problema para o corpo diretivo e o detentor dos direitos comerciais que são responsáveis, mas o quanto as coisas podem mudar entre agora e setembro?", questionou.

Os primeiros reflexos comerciais, aliás, já começam a aparecer na categoria. A escuderia americana Haas anunciou nesta quinta que, a partir desta sexta (25), seus carros não exibirão mais o patrocínio da Urakali, conglomerado russo do ramo de fertilizantes.

A retirada do patrocinador foi anunciada num breve comunicado, no qual a equipe citou que "não irá se pronunciar sobre acordos comerciais". A Urakali tem como seu diretor-executivo o bilionário russo Dmitry Mazepin, que é pai de Nikita Mazepin, piloto da Haas desde 2021.

Por enquanto, ainda não está claro se o acordo foi rompido definitivamente ou se trata de uma ação pontual. Nas redes sociais da Haas, a marca do conglomerado também foi retirada.

Como resposta ao ataque russo contra a Ucrânia, o presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou novas sanções contra a Rússia. Entre elas está o bloqueio de ativos de bancos russos, que não vão poder mais fazer negócios com empresas americanas.

Horas antes do anúncio da Haas, o alemão Gunther Steiner, chefe da equipe, cancelou sua participação na entrevista coletiva organizada pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) após o segundo dia da pré-temporada na cidade de Barcelona, na Espanha. Foi neste evento que os pilotos se manifestaram.

Na véspera da invasão determinada por Putin, no entanto, Steiner afirmou que estava acompanhando toda a situação e que "se acontecer algo, vamos lidar com isso".

Já em entrevista ao site Crash, Nikita Mazepin afirmou que "no meu entendimento, a corrida vai acontecer e vocês vão me ver lá" e acrescentou ser um "apoiador do esporte sem políticas."

Enquanto a F1 não toma uma decisão sobre a realização da corrida em setembro, a Uefa marcou para esta sexta (25) uma reunião de seu comitê executivo para definir o que vai fazer com a final da Champions que está prevista para o dia 28 de maio, em São Petersburgo, na Rússia.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson cobrou atitudes da Uefa e afirmou ser "inaceitável" a decisão do campeonato ocorrer em solo russo.

"Parece-me inaceitável que os grandes torneios de futebol, como a final da Champions ou qualquer outro, possam ser realizados na Rússia depois da invasão de um país soberano", disse o britânico.