Magny-Cour, 25 (AE) - De um modo geral, toda vez que alguma questão conceitual é colocada em discussão na Fórmula 1, como por exemplo o seu regulamento técnico, as opiniões se dividem. Certas sugestões chegam a se opôr a outras. Desta vez, contudo, há um consenso, o que é raro na Fórmula 1: praticamente todos os pilotos defendem a volta dos pneus lisos (slick), bem como aerofólios menores já para a próxima temporada. Propostas recolhidas no paddock do circuito de Magny-Cours, hoje, depois do primeiro treino livre do GP da França, comprovam a convergência de visões.
A antecipação da abertura do Mundial do ano 2000, divulgada quarta-feira, está pressionando bastante pilotos e dirigentes para que haja logo um acordo. Os carros embarcam para a abertura do próximo campeonato dia 12 de fevereiro, enquanto este ano viajaram para a Austrália dia 28 de fevereiro. O Mundial do ano que vem começa dia 20 de fevereiro na Malásia. O período de testes será menor, bem como as equipes terão de concluir seus carros antes do usual, daí a necessidade, agora ainda maior, de definir já o regulamento técnico da Fórmula 1.
O próximo encontro entre representantes dos pilotos e da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) está previsto para depois do GP da Grã-Bretanha, dia 11 de julho, data considerada limite máximo pelos projetistas para a definição de um acordo.
"Pneus slick, carros mais largos e redução dos elementos aerodinâmicos, esse é o caminho", disse Michael Schumacher, da Ferrari.
"Não sei qual a fórmula, mas gostaria de dispôr de um carro que me permitisse pemanecer atrás de outro nas curvas de alta", fala Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, também um adepto de restrições na aerodinâmica. O diretor-técnico da Williams, Patrick Head, propõe que em pistas como Mônaco, onde a necessidade de pressão aerodinâmica é total, o regulamento obrigue o uso de aerofólios pequenos, enquanto que em Hockenheim
pista de elevada velocidade, esses aerofólios sejam maiores. A solução é inspirada no que faz a Fórmula Indy, que impõe aerofólios maiores nos traçados ovais, como forma de reduzir a velocidade dos carros.
Head lembrou, contudo, que o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o inglês Max Mosley, está extremamente determinado em levar adiante sua política de não substituir os pneus com sulcos. Para Schumacher, a questão não está fechada. "Ainda estamos discutindo", diz, sem dar detalhes. Outro componente que entrou agora na mira dos pilotos, a fim de que as competições de Fórmula 1 permitam as manobras de ultrapassagem, são os sistemas de freios.
Da temporada passada para esta eles passaram de 32 milímetros de espessura para 28 milímetros, mas já se pensa em mais restrições, como até mesmo a proibição dos discos de carbono, que passariam a ser de aço. "Essa é uma boa solução, porque aumentaria o espaço de frenagem, o que deve facilitar as ultrapassagens", fala Ricardo Zonta, da BAR. O ex-piloto da March e Ferrari, Ivan Capelli, defende uma volta ao passado. "Exigir que os carros sejam mais altos em cerca de 10 centímetros acabaria com essa festa da aerodinâmica de hoje."
O exemplo do grave acidente sofrido hoje por Jean Alesi é usado por Pedro Paulo Diniz, piloto do mesmo time do francês, Sauber, para expor seu ponto de vista. "Ao ficar de lado, o carro de Alesi perdeu totalmente a pressão aerodinâmica que o empurra contra o solo", argumentou. "Sem essa pressão e sem a aderência mecânica, proporcionada principalmente pelos pneus atuais, a Sauber bateu nos pneus na mesma elevada velocidade que deixou a pista", comentou. "Aconteceu comigo também no Canadá, nossa margem de controle da máquina é reduzida se ocorre algo de anormal." Por Livio Oricchio
Magny-Cour, 25 (AE) - De um modo geral, toda vez que alguma questão conceitual é colocada em discussão na Fórmula 1, como por exemplo o seu regulamento técnico, as opiniões se dividem. Certas sugestões chegam a se opôr a outras. Desta vez, contudo, há um consenso, o que é raro na Fórmula 1: praticamente todos os pilotos defendem a volta dos pneus lisos (slick), bem como aerofólios menores já para a próxima temporada. Propostas recolhidas no paddock do circuito de Magny-Cours, hoje, depois do primeiro treino livre do GP da França, comprovam a convergência de visões.
A antecipação da abertura do Mundial do ano 2000, divulgada quarta-feira, está pressionando bastante pilotos e dirigentes para que haja logo um acordo. Os carros embarcam para a abertura do próximo campeonato dia 12 de fevereiro, enquanto este ano viajaram para a Austrália dia 28 de fevereiro. O Mundial do ano que vem começa dia 20 de fevereiro na Malásia. O período de testes será menor, bem como as equipes terão de concluir seus carros antes do usual, daí a necessidade, agora ainda maior, de definir já o regulamento técnico da Fórmula 1.
O próximo encontro entre representantes dos pilotos e da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) está previsto para depois do GP da Grã-Bretanha, dia 11 de julho, data considerada limite máximo pelos projetistas para a definição de um acordo.
"Pneus slick, carros mais largos e redução dos elementos aerodinâmicos, esse é o caminho", disse Michael Schumacher, da Ferrari.
"Não sei qual a fórmula, mas gostaria de dispôr de um carro que me permitisse pemanecer atrás de outro nas curvas de alta", fala Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, também um adepto de restrições na aerodinâmica. O diretor-técnico da Williams, Patrick Head, propõe que em pistas como Mônaco, onde a necessidade de pressão aerodinâmica é total, o regulamento obrigue o uso de aerofólios pequenos, enquanto que em Hockenheim
pista de elevada velocidade, esses aerofólios sejam maiores. A solução é inspirada no que faz a Fórmula Indy, que impõe aerofólios maiores nos traçados ovais, como forma de reduzir a velocidade dos carros.
Head lembrou, contudo, que o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o inglês Max Mosley, está extremamente determinado em levar adiante sua política de não substituir os pneus com sulcos. Para Schumacher, a questão não está fechada. "Ainda estamos discutindo", diz, sem dar detalhes. Outro componente que entrou agora na mira dos pilotos, a fim de que as competições de Fórmula 1 permitam as manobras de ultrapassagem, são os sistemas de freios.
Da temporada passada para esta eles passaram de 32 milímetros de espessura para 28 milímetros, mas já se pensa em mais restrições, como até mesmo a proibição dos discos de carbono, que passariam a ser de aço. "Essa é uma boa solução, porque aumentaria o espaço de frenagem, o que deve facilitar as ultrapassagens", fala Ricardo Zonta, da BAR. O ex-piloto da March e Ferrari, Ivan Capelli, defende uma volta ao passado. "Exigir que os carros sejam mais altos em cerca de 10 centímetros acabaria com essa festa da aerodinâmica de hoje."
O exemplo do grave acidente sofrido hoje por Jean Alesi é usado por Pedro Paulo Diniz, piloto do mesmo time do francês, Sauber, para expor seu ponto de vista. "Ao ficar de lado, o carro de Alesi perdeu totalmente a pressão aerodinâmica que o empurra contra o solo", argumentou. "Sem essa pressão e sem a aderência mecânica, proporcionada principalmente pelos pneus atuais, a Sauber bateu nos pneus na mesma elevada velocidade que deixou a pista", comentou. "Aconteceu comigo também no Canadá, nossa margem de controle da máquina é reduzida se ocorre algo de anormal."

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